O policial militar José Laurentino dos Santos Neto, de 44 anos, está sob investigação por dois incidentes que resultaram em mortes durante abordagens, ambos envolvendo uso excessivo de força.
O primeiro ocorreu na noite de 21 de abril no Bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande, envolvendo Rafael da Silva Costa, de 35 anos, durante um episódio de surto. O segundo caso remonta a 4 de fevereiro de 2024, quando Antônio Boneti do Nascimento morreu após uma abordagem no bairro Nova Lima.
As duas situações estão sendo questionadas quanto à conduta dos policiais envolvidos e o uso desproporcional da força. As investigações levantam preocupações sobre os protocolos aplicados pela Polícia Militar, sobretudo em confrontos com indivíduos em crise psicológica.
No caso mais recente, Rafael, que estava em surto psicótico, foi abordado por policiais no Bairro Tarsila do Amaral. De acordo com imagens de câmeras de segurança e relatos de testemunhas, ele já se encontrava imobilizado quando sofreu agressões físicas, foi atingido por disparos de taser e exposto ao spray de pimenta. As imagens sugerem que Rafael não demonstrava resistência física no momento da ação policial, mas mesmo assim foi violentado, vindo a ser colocado inconsciente na viatura.
Essas imagens contradizem a versão oficial da Polícia Militar, que justificou o uso da força como medida necessária para conter o surto. Agora, o caso segue sob análise da Corregedoria da PM e do Ministério Público Estadual (MPE), avaliando possíveis abusos de autoridade e excesso nas ações.
Já no incidente envolvendo Antônio Boneti, ocorrido em fevereiro de 2024, o homem enfrentava uma situação judicial relacionada à violação de uma medida protetiva. Durante uma abordagem da polícia, Antônio teria reagido com agressividade, o que gerou confronto físico. Ele sofreu uma lesão no joelho e foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas faleceu posteriormente.
O MPE denunciou formalmente o caso, destacando que os policiais envolvidos teriam ultrapassado os limites previstos para a legítima defesa. A denúncia apontou uso desnecessário e inadequado de instrumentos como taser e spray de pimenta. Segundo os promotores, Antônio já estava imobilizado e aguardava atendimento médico quando sofreu agressões adicionais que agravaram seu estado.
Resultados do exame de corpo de delito indicaram múltiplas lesões no corpo de Antônio, com a causa da morte atribuída a choque refratário devido a politrauma contuso. Esses elementos reforçam dúvidas sobre a conduta dos policiais e sua adequação ao contexto da abordagem.
Tanto o caso de Rafael quanto o de Antônio trouxeram à tona debates sobre os limites do uso da força em operações policiais. Especialmente relevante é a discussão sobre a postura adotada frente a pessoas em condições de vulnerabilidade psicológica. O Ministério Público tem analisado se houve falhas nos procedimentos operacionais padrão e buscado responsabilizar aqueles que possam ter agido com negligência ou abuso de autoridade.
A comandante do policial investigado, major Daniele Perete, declarou que não há razões legais para afastar José Laurentino dos Santos Neto de suas funções no momento. Ela afirmou que as ações serão devidamente apuradas por meio de um Inquérito Policial Militar já instaurado. As investigações continuam visando esclarecer as circunstâncias dos incidentes e promover uma análise criteriosa dos protocolos adotados pela Polícia Militar.

