A Operação Iscariotes, deflagrada na manhã de quarta-feira (18) pela Polícia Federal e pela Receita Federal, teve como alvo um grupo criminoso investigado por envolvimento com contrabando e corrupção. Entre os investigados estão três policiais rodoviários federais aposentados, suspeitos de integrar o esquema, que teria movimentado milhões de reais.
De acordo com as investigações, os ex-integrantes da Polícia Rodoviária Federal não possuem vínculo ativo com a instituição há mais de oito anos. Em nota, o órgão informou que, caso as irregularidades sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder criminalmente conforme a legislação vigente.
No Mato Grosso do Sul, os mandados foram cumpridos em Campo Grande e Dourados. Já em Minas Gerais, as ações ocorreram em Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros, destinos finais de parte dos produtos contrabandeados.
Na região central da Capital sul-mato-grossense, quatro lojas pertencentes à mesma família foram interditadas no Camelódromo. A investigação apura crimes como contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e violação de sigilo funcional.
Além disso, dois investigadores da Polícia Civil foram presos: Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca. Célio já havia sido alvo de operações anteriores, enquanto Quevedo atua na 5ª Delegacia de Polícia Civil.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul informou que acompanha o caso por meio das corregedorias e destacou que não tolera desvios de conduta, prometendo a abertura de processos administrativos disciplinares para apurar responsabilidades individuais.
Ao todo, a operação resultou em quatro prisões preventivas, afastamento de dois servidores públicos, cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão e monitoramento de um investigado com tornozeleira eletrônica. Também houve suspensão do porte de arma de seis pessoas.
As autoridades determinaram ainda o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em bens de pessoas físicas e jurídicas. Pelo menos 10 imóveis e 12 veículos foram sequestrados, além da suspensão das atividades de seis empresas.
As investigações apontam que a organização criminosa atuava na importação irregular de eletrônicos de alto valor, sem documentação fiscal e sem autorização dos órgãos de controle. Após a entrada no país, os produtos eram distribuídos para diversas cidades, muitas vezes escondidos em cargas legais e transportados em veículos com compartimentos ocultos.
O esquema também contava com a participação de agentes de segurança, da ativa e aposentados, que utilizavam suas funções para repassar informações sigilosas, facilitar o transporte das mercadorias e evitar fiscalizações. Durante a apuração, diversos envolvidos foram presos em flagrante, incluindo casos com participação direta de policiais.

