A Polícia Civil de Mato Grosso desencadeou, nesta quarta-feira (4), a Operação Agro-Fantasma para investigar um suposto esquema de fraude na comercialização de grãos que teria provocado prejuízo superior a R$ 58 milhões a um produtor rural.
Entre os investigados está o produtor e ex-deputado estadual por Mato Grosso do Sul, Sérgio Pereira Assis, que foi preso em flagrante por porte ilegal de munições durante o cumprimento de mandado.
Ação em três municípios
Os mandados são cumpridos em Cuiabá e Alto Taquari (MT), além de Campo Grande (MS), com apoio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos e Assaltos e Sequestros (Garras).
Ao todo, a operação executa cinco mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens móveis e imóveis. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres, com base em investigação da Delegacia de Polícia de Comodoro (MT), que apura os crimes de estelionato e associação criminosa.
Como teria ocorrido o prejuízo
Segundo a apuração, o caso começou na safra de soja de 2025, quando um corretor teria procurado o produtor rural afirmando representar as empresas Imaculada Agronegócios Ltda e Santa Felicidade Agroindústria Ltda.
As primeiras negociações envolveram volumes menores e foram quitadas regularmente, o que teria fortalecido a confiança entre as partes. Em uma das operações, 17 caminhões de soja só foram liberados após a confirmação da compensação bancária.
Com o avanço das tratativas, o produtor passou a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome, com a promessa de que os valores seriam pagos posteriormente pelo grupo. Amparado por garantias apresentadas, ele assumiu compromissos que ultrapassaram R$ 70 milhões.
Até novembro de 2025, os pagamentos teriam sido realizados. A partir de dezembro, no entanto, os investigados teriam interrompido os repasses, deixando o produtor responsável pelas dívidas contraídas com fornecedores.
Para tentar equilibrar as contas, ele afirma ter contratado empréstimos superiores a R$ 21 milhões, além de renegociar financiamento de R$ 2,5 milhões.
A investigação também aponta que parte dos grãos teria sido revendida por valores abaixo do custo de aquisição, sem que o dinheiro fosse usado para quitar os débitos.
Negociação de aeronave
O produtor relatou ainda ter vendido uma aeronave ao grupo por R$ 5,8 milhões, mas recebido pouco mais de R$ 2 milhões, permanecendo saldo pendente desde janeiro de 2026. O avião foi apreendido durante a operação.
Como garantia, teria sido indicado um imóvel registrado em cartório de Cuiabá. Conforme a polícia, o bem estaria envolvido em disputas judiciais e apresentaria indícios de alienações sucessivas sem comprovação de pagamento.
Defesa contesta acusação
Ao Campo Grande News, o advogado Miguel Zaim, que representa Mário Assis e Sérgio Assis, afirmou que o caso se trata de desacordo comercial, negando a prática de estelionato. Segundo ele, o produtor teria exigido juros considerados abusivos e feito ameaças contra sócios e familiares, o que motivou pedido de medida protetiva.
O defensor também sustentou que o ex-deputado não integra o grupo investigado. Apesar disso, ele foi alvo de busca, autuado por posse ilegal de arma de fogo, teve fiança arbitrada na sede da Garras e foi liberado.
