Deflagrada nesta quarta-feira (28), a segunda fase da operação Castelo de Cartas cumpre mandados contra uma quadrilha suspeita de envolvimento em fraudes financeiras. A ação é conduzida pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.
Na Capital sul-mato-grossense, os alvos são dois integrantes de uma família conhecida no setor de energia e gás, que, segundo a polícia, teriam usado o sobrenome de peso para aplicar golpes em empresários. Um dos endereços vistoriados fica no condomínio Green Life, na Avenida Nelly Martins, região da Vila Margarida, onde reside Gabriel Gandi Zahran Georges.
Ele é investigado por supostamente negociar empresas de fachada e atrair vítimas com promessas de retornos financeiros elevados. O outro alvo é Camilo Gandi Zahran Georges, irmão de Gabriel. Conforme o delegado Fernando Tedde, responsável pelo inquérito, ambos pertencem ao grupo empresarial legítimo da família, mas não exercem funções administrativas.
Os dois são filhos do ex-deputado federal Gandi Jamil e de Ana Karla Zahran, filha do patriarca da família, Ueza Zahran.
“Eles fazem parte de uma família numerosa, proprietária de um conglomerado empresarial com diversas empresas. Pelo que apuramos, recebem dividendos, mas não participam da gestão. Ainda assim, teriam criado uma falsa estrutura de investimentos para movimentar recursos”, explicou o delegado.
Durante a operação, foram apreendidos ao menos dez veículos de luxo — entre eles BMW, Mercedes-Benz, Audi Q7, Toyota Hilux e Jeep — além de quatro armas de fogo municiadas, mais de R$ 1,75 milhão em dinheiro, joias e outros bens de alto valor.
De acordo com a polícia, os irmãos seriam responsáveis pela administração da associação criminosa. Um deles prestava depoimento nesta quarta-feira, sem mandado de prisão, enquanto o outro teve a prisão decretada, mas não foi localizado e é considerado foragido.
Ainda não há um número definitivo de vítimas, embora já existam registros formais na região de São José do Rio Preto. As pessoas lesadas estão distribuídas por diferentes cidades e acumulam prejuízos milionários, segundo a Deic.
As investigações apuram crimes de estelionato comum e estelionato por meio eletrônico, caracterizado como fraude digital. Até o momento, a polícia não divulgou a estimativa do valor total do golpe.
A primeira fase da operação ocorreu na segunda-feira (26). As apurações tiveram início em abril de 2025 e investigam a atuação do grupo que induzia empresários a adquirir empresas de fachada, prometendo altos lucros com o uso do nome de uma tradicional família sul-mato-grossense.
Na etapa inicial, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em condomínios de alto padrão em São José do Rio Preto. Nesta quarta-feira, duas equipes da Deic atuam em Campo Grande para cumprir novas ordens judiciais.
Durante a ação, uma pessoa que não teve o nome divulgado foi presa em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. As investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes da organização criminosa.
