O diretor-presidente da Fundação Municipal de Esporte, Sandro Benites, tornou-se alvo de uma medida protetiva no âmbito da Lei Maria da Penha após denúncias de violência psicológica feitas por uma mulher com quem teria mantido um relacionamento por cerca de seis anos. Segundo relatos, a relação teria sido marcada por episódios de manipulação, controle emocional, humilhações e ameaças, além de prejuízos pessoais e profissionais para a vítima.
De acordo com informações obtidas pela reportagem, o relacionamento teria começado quando Benites retornou a Campo Grande para disputar as eleições a vereador. Na época, ele teria afirmado que era casado, porém separado de corpos, mantendo o vínculo com a esposa apenas por questões políticas.
A mulher trabalhava havia oito anos na Câmara Municipal de Campo Grande e chegou a atuar como assessora do então presidente da Casa. Após cerca de três anos de relacionamento com o político, ela teria sido alertada por seu chefe de que o vereador poderia prejudicá-la e deixá-la sem apoio profissional.
Em decorrência do relacionamento, a servidora acabou sendo retirada da equipe e perdeu o emprego quando o presidente da Câmara deixou o cargo.
Alguns anos depois, ela retornou à Câmara, mas foi novamente exonerada na última segunda-feira (2), após questionar Benites sobre uma viagem que ele teria feito a Dubai.
“Eu perdi salário, posição e respeito. Tive problemas dentro de casa com o meu filho, que não aceitava a minha situação. Passei por muitas coisas. Há muito tempo eu tentava sair desse relacionamento, mas ele tinha um poder de manipulação muito forte sobre mim”, relatou a vítima.
Controle e isolamento
Segundo a mulher, os três primeiros anos do relacionamento foram marcados por um período de forte envolvimento emocional. No entanto, com o passar do tempo, teriam começado comportamentos de controle sobre sua rotina e relações sociais.
Ela afirma que passou a receber cobranças frequentes quando participava de eventos sociais ou saía com amigos. Em algumas situações, teria sido impedida de sair com amigas sob ameaça de término do relacionamento.
Em um dos episódios relatados, ela contou que participava do aniversário de uma amiga quando foi surpreendida pela chegada de Benites ao local.
“Ele apareceu na frente do prédio e disse para eu ir embora para casa. Fez eu sair da festa. Eu praticamente não saía mais de casa”, afirmou.
Durante o relacionamento, a mulher também teria descoberto diversos casos de traição envolvendo o ex-vereador e outras mulheres, inclusive colegas de trabalho. Em um dos episódios, ele teria sido flagrado na cama com uma jovem que trabalhava na Secretaria de Esporte e que posteriormente foi transferida para atuar na Casa da Mulher Brasileira.
Informações levantadas indicam ainda que Benites manteria outro relacionamento de longa duração, de cerca de 16 anos, com uma mulher com quem teria um filho de 9 anos.
Viagem e término
Segundo os relatos, o diretor da fundação teria informado à companheira que viajaria para Dubai para participar de um evento com o grupo Legendários, do qual faria parte. Desconfiada da situação, a mulher decidiu segui-lo até o aeroporto de Campo Grande.
No local, ela afirma ter visto Benites desembarcando do carro acompanhado da esposa e do filho, momento em que teria percebido que ele não estava separado, como dizia.
Após o episódio, a mulher decidiu encerrar o relacionamento por meio de uma mensagem de texto.
Cinco dias depois, ela foi informada de sua exoneração do cargo na Câmara Municipal. Segundo o relato, foi comunicado que não seria possível mantê-la na equipe.
Episódio que motivou denúncia
Após retornar de uma viagem à Europa — durante a qual teria ficado retido em Dubai devido a bombardeios relacionados ao conflito entre Irã e Estados Unidos — Benites teria ido até a casa da mulher e entrado no local enquanto ela dormia.
Conforme o relato, ele a acordou e iniciou uma discussão, fazendo comentários ofensivos sobre sua situação financeira, a perda do emprego e até sobre suas relações familiares. Também teria tentado apagar conversas trocadas entre os dois no celular da vítima.
A mulher afirma que o ex-vereador permaneceu cerca de duas horas no imóvel, proferindo xingamentos e frases de humilhação como “você não tem nada”, “você não é nada” e “eu quero acabar com você”.
Após o episódio, ela procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para registrar um boletim de ocorrência por violência psicológica.
Segundo o relato, este não teria sido o primeiro episódio de ameaça. Em outra discussão, ao ser questionado sobre um suposto caso extraconjugal, Benites teria dito: “você não vai fazer escândalo, porque se fizer, eu vou dar um tiro na sua cabeça”.
Decisão judicial
A medida protetiva foi concedida no sábado (7), na véspera do Dia Internacional da Mulher. Com a decisão, Benites está proibido de se aproximar da vítima, de familiares e de testemunhas do caso, além de manter qualquer tipo de contato, sob risco de prisão e outras medidas cautelares.
“Agora estou desempregada, sem casa, sem moral e me sentindo humilhada pela pessoa que dormiu comigo e dizia que me amava”, afirmou a mulher.
Até o momento, Sandro Benites não se pronunciou sobre as acusações.

