A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude, investiga alunos de uma escola particular de Campo Grande suspeitos de comercializar imagens íntimas falsas de uma adolescente, produzidas com o uso de inteligência artificial. O caso foi revelado na última semana.
Com o avanço das ferramentas de IA, os rostos podem ser manipulados para a criação de fotos e vídeos falsos com aparência extremamente realista — prática conhecida como deepfake. A tecnologia, que tem aplicações legítimas, também vem sendo utilizada para golpes e crimes virtuais.
Segundo as apurações iniciais, colegas da estudante teriam utilizado a imagem da adolescente para gerar fotos íntimas falsas e vender o material em grupos de mensagens. A comercialização não teria ocorrido dentro do ambiente escolar, mas por meio de aplicativos.
De acordo com a delegada Daniela Kades, responsável pela unidade especializada, foi registrado boletim de ocorrência e a instituição de ensino foi comunicada. Ela afirmou que os envolvidos poderão ser responsabilizados e destacou que há pelo menos outros dois casos em investigação relacionados à manipulação de imagens com uso de inteligência artificial em escolas.
As investigações têm como base o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente, que tipifica como crime a simulação de cenas de sexo explícito ou pornográfico envolvendo crianças e adolescentes por meio de montagem, adulteração ou modificação de imagens ou vídeos.

