O aumento das tensões no Oriente Médio, intensificadas após ações militares lideradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já começa a refletir no preço dos combustíveis em Mato Grosso do Sul. O valor do óleo diesel registrou alta de cerca de 10% em apenas um dia, com impacto de até R$ 0,60 por litro, e já chega a R$ 8 em municípios do interior do Estado. O setor de transporte alerta para possível aumento no custo do frete e até risco de desabastecimento.
A gasolina também foi afetada e ultrapassou os R$ 6 por litro em Campo Grande pela primeira vez desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante da pressão sobre os preços, o governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para tentar conter novos aumentos.
Na Capital sul-mato-grossense, o litro do diesel, que custava cerca de R$ 5,99, passou a ser vendido por aproximadamente R$ 6,59. Já a gasolina subiu de R$ 5,87 para cerca de R$ 6,09. A situação mais crítica, no entanto, ocorre em cidades do interior, onde o diesel já atinge R$ 8 por litro, elevando os custos das transportadoras.
Para dimensionar o impacto, um tanque de carreta com capacidade para 800 litros custava cerca de R$ 4,7 mil para ser abastecido quando o diesel estava a R$ 5,99. Com o novo preço em Campo Grande, o valor chega a aproximadamente R$ 5,2 mil. Em localidades onde o combustível já alcança R$ 8 por litro, o abastecimento completo pode chegar a R$ 6,4 mil.
O presidente do Setlog (Sindicato das Empresas de Transporte de Mato Grosso do Sul), Claudio Cavol, afirma que o aumento surpreendeu o setor e já há relatos de dificuldades no abastecimento em algumas regiões.
Segundo ele, o impacto foi imediato e pode se espalhar por toda a cadeia produtiva. O dirigente defende que o governo estadual reduza o ICMS sobre o diesel para amenizar os custos para empresas e consumidores.
Cavol cita como exemplo as medidas anunciadas pelo governo federal, que incluem a redução de tributos sobre a importação e comercialização do diesel, com expectativa de diminuir o preço final ao consumidor em até R$ 0,64 por litro.
O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis de Mato Grosso do Sul também relata dificuldades no mercado, especialmente para distribuidoras que dependem de produtos importados, diante da escalada dos preços internacionais.
A pressão sobre os combustíveis ocorre após o Irã reforçar o controle sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. Com a tensão na região, o preço do barril ultrapassou US$ 120 no mercado internacional, e autoridades iranianas admitem que a cotação pode ultrapassar US$ 200.
Enquanto o conflito continuar, especialistas avaliam que o consumidor brasileiro pode sentir os efeitos em diversos setores da economia, já que o aumento do diesel costuma refletir diretamente no preço do frete, dos alimentos e de outros produtos.
Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Pedro Kemp solicitou providências dos órgãos de defesa do consumidor para apurar possíveis aumentos abusivos nos postos de combustíveis. Segundo ele, não houve reajuste oficial anunciado pela Petrobras que justificasse a elevação imediata dos preços.
O parlamentar pediu que o Ministério Público e o Procon investiguem a situação e adotem medidas caso sejam constatadas irregularidades na formação dos preços, com o objetivo de proteger os consumidores sul-mato-grossenses.
