Uma força-tarefa da Vigilância Sanitária retirou de circulação mais de R$ 1 milhão em medicamentos irregulares durante a Operação Visa-Protege, realizada entre segunda (2) e quarta-feira (4) no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios, em Campo Grande.
Foram apreendidas cerca de mil canetas e ampolas de substâncias usadas para emagrecimento, muitas sem registro na Anvisa, sem procedência e sem qualquer controle sanitário. A ação reuniu Anvisa, Correios, CRF/MS, Polícia Civil e SES/MS.
Segundo as autoridades, cada unidade desses produtos custa entre R$ 800 e R$ 1.600 ao longo da cadeia clandestina e pode chegar a R$ 2.400 ao consumidor final.
Escondidos em presentes, alimentos e material escolar
Os medicamentos estavam ocultos em encomendas postais, disfarçados em meio a presentes e objetos comuns. Fiscais encontraram itens escondidos em bolsas, copos térmicos, erva de tereré, frascos de óleo, creme hidratante, sacos de feijão e até materiais escolares.
A fiscalização mira especialmente versões ilegais de tirzepatida (como as marcas TG e Lipoless) e a retatrutida, substância ainda em fase de testes e sem aprovação para uso em qualquer país.
De acordo com a Vigilância Sanitária, embalagens sofisticadas e rótulos falsamente atribuídos a países como Alemanha e Reino Unido são usados para dar aparência de legalidade aos produtos.
Sem rastreabilidade, controle de qualidade ou garantia de dose segura, o uso dessas substâncias eleva o risco de eventos adversos graves. Já há relatos de complicações associadas à automedicação e a prescrições irregulares.
A SES/MS informou que a Operação Visa-Protege passa a ter caráter permanente, com fiscalização também em transportadoras, aeroportos e rodovias estaduais e federais — especialmente na fronteira com o Paraguai, principal rota de entrada desses produtos.
Em janeiro, a polícia já havia reforçado a fiscalização nas rodovias da região diante do aumento do contrabando.
A retatrutida, ainda em desenvolvimento pela farmacêutica Eli Lilly, só deve ter análise para eventual comercialização a partir de 2027. Mesmo assim, já vem sendo falsificada e vendida no mercado clandestino com promessas de emagrecimento rápido.
Autoridades alertam que o consumo dessas substâncias pode causar pancreatite aguda, insuficiência renal e alterações graves no sistema endócrino, além de outros efeitos imprevisíveis.
