Empresária investigada na Operação Gutenberg será monitorada por tornozeleira eletrônica durante 180 dias e só poderá deixar casa para tratamento médico
Depois de 85 dias presa, a empresária Rossana Paroschi Jafar conseguiu autorização da Justiça para cumprir prisão domiciliar. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (30) pela juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, após a defesa apresentar documentação médica apontando agravamento de seu quadro de saúde durante o período de encarceramento.
Rossana sofre de epilepsia e, segundo os documentos apresentados à Justiça, teve duas crises convulsivas enquanto estava presa. A magistrada determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 180 dias.
Conforme laudo médico emitido no início de setembro, o ambiente prisional dificultaria o acompanhamento com neurologista, a realização de exames e eventuais ajustes na medicação. A documentação registra ao menos seis crises convulsivas desde 2022.
Ao conceder a domiciliar, a juíza ressaltou que a medida não representa absolvição ou encerramento das acusações, mas busca permitir o tratamento médico sem afastar o acompanhamento judicial do caso.
Saídas apenas para tratamento
Rossana deverá permanecer em casa em período integral e somente poderá sair para consultas, exames ou outros procedimentos médicos.
Os comprovantes dos atendimentos deverão ser apresentados à Justiça em até cinco dias. Ela também não poderá deixar Campo Grande sem autorização judicial, terá de comparecer aos atos do processo e comunicar previamente qualquer mudança de endereço.
O descumprimento das medidas poderá provocar a revogação da prisão domiciliar e o retorno ao sistema prisional.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul havia se manifestado contra a soltura e também contra a substituição da prisão preventiva pela domiciliar.
Operação Gutenberg
Rossana é investigada no âmbito da Operação Gutenberg, conduzida pelo Gaeco, e responde por acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
A investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo contratos de livros paradidáticos firmados com prefeituras de Mato Grosso do Sul. A ação judicial busca ressarcimento de aproximadamente R$ 27 milhões.
Em agosto, a Justiça já havia negado um pedido de liberdade feito pela defesa, sob o entendimento de que Rossana seria apontada pela acusação como uma das integrantes da liderança do suposto esquema.
Com a nova decisão, ela deixa o presídio, mas permanece submetida às restrições impostas pela Justiça enquanto o processo continua.
