Apesar de a Câmara Municipal insistir em negar, o cheiro de pizza da CPI do Ônibus aumentou ainda mais nos últimos dias depois que os vereadores integrantes da comissão que investiga as diversas irregularidades do Consórcio Guaicurus adiarem mais uma vez a apresentação do relatório final.
A decisão foi tomada ontem (29) pela CPI após uma reunião que durou quatro horas. A apresentação do relatório final estava marcada para a próxima terça-feira (2), entretanto, ainda não foi divulgada uma nova data, sendo que o prazo para encerramento dos trabalhos é 12 de setembro.
Conforme o presidente da comissão, vereador Dr. Lívio (União Brasil), o prazo é necessário para aprofundar o relatório final. “Existem apontamentos para detalhar melhor, coisas novas que apareceram e que não foram aventadas ainda nessa cidade”, explicou ao site Midiamax, mas sem detalhar.
No entanto, o presidente da CPI deu ‘brecha’ de que essas novas descobertas tenham relação com a situação contábil do Consórcio Guaicurus. “Fatos novos a partir da análise da contabilidade, são fatos que precisam de mais detalhamento”, adiantou Lívio.
Já o presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), disse que houve pequenas divergências no grupo. “Ficou combinado que incluiremos a opinião dos membros no relatório. A relatora [Ana Portela] se comprometeu com isso e vai cumprir”, afirmou categoricamente.
Então, Papy disse que o prazo maior seria para que “outras ideias possam ser adicionadas no relatório final”.
Ao ser questionado sobre o que esperar desse relatório, Papy tenta amenizar, dizendo que não se agrada pela ideia de medidas drásticas. “Pode trazer prejuízo para a população que pega o ônibus, não gosto muito de qualquer coisa muito drástica, mas é uma opinião pessoal minha”, avaliou.
Recentemente, Papy já declarou que é a favor de dar mais dinheiro aos empresários do ônibus como solução para melhorar o transporte público da Capital.
A Câmara Municipal de Campo Grande tem histórico de ‘passar pano’ para o Consórcio Guaicurus, com sete CPIs que terminaram todas em ‘pizza’, ou seja, sem resultado prático na vida da população.
Uma CPI pode ter vários encaminhamentos. O relatório final pode, por exemplo, indiciar pessoas, sugerir exonerações, encaminhar crimes ou irregularidades ao Ministério Público, que pode ingressar com ação judicial. Há possibilidade de recomendações de medidas administrativas ou propostas de leis.
Além de Lívio, a CPI tem a vereadora Ana Portela (PL) como relatora e os vereadores Junior Coringa (MDB), Luiza Ribeiro (PT) e Maicon Nogueira (PP) como membros.
Vai vendo!!!