Vídeos gravados na segunda-feira (20) mostram um cenário de superlotação no pronto-socorro da Santa Casa de Campo Grande, principalmente na ala de ortopedia. As imagens revelam macas alinhadas lado a lado, com pouco espaço entre elas, ocupando salas e corredores da unidade.
Em alguns pontos, a circulação de profissionais e pacientes ocorre com dificuldade devido ao grande número de pessoas internadas no mesmo ambiente.
A situação está relacionada à redução no número de anestesiologistas, motivada pelo atraso nos pagamentos. Pacientes e acompanhantes relatam que o impacto é direto na rotina hospitalar, com cirurgias e procedimentos suspensos, inclusive os de baixa complexidade, que dependem de anestesia.
Há casos de pacientes internados há mais de uma semana aguardando procedimentos simples, sem previsão de realização. A demora prolongada mantém leitos ocupados por longos períodos, enquanto outras pessoas seguem à espera de atendimento.
“A gente entende o problema com os médicos, mas minha avó não tem culpa. Ela está com queimaduras e espera há mais de uma semana por um procedimento simples, ocupando uma vaga que poderia ser usada por outra pessoa. Não ter nenhuma previsão é desumano”, relatou um acompanhante, que preferiu não se identificar por ainda estar com familiar internado.
Também há relatos de pacientes orientados a permanecer em jejum na véspera de cirurgias, com a promessa de que os procedimentos ocorreriam no dia seguinte. No entanto, as cirurgias acabam sendo adiadas repetidamente, fazendo com que essas pessoas passem dias sem se alimentar de forma adequada, aguardando uma definição.
A superlotação é percebida em diferentes áreas do hospital. “No pronto-socorro já estava lotado, muita gente esperando. Agora ela está internada na ala, mas a situação lá dentro é caótica”, descreveu outro acompanhante.
Além das dificuldades assistenciais, acompanhantes apontam problemas estruturais. Uma mulher cadeirante, que acompanha a avó internada após um problema cardíaco, afirma que apenas um elevador estaria em funcionamento em todo o hospital, o que dificulta a locomoção.
“Às vezes ficamos mais de meia hora esperando para subir ou descer. Já é difícil lidar com a situação de saúde, e isso acaba piorando tudo”, relatou.
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS) informou que não há comunicado formal de paralisação envolvendo anestesistas na Santa Casa. Segundo a entidade, os contratos de prestação de serviços não são firmados diretamente com os médicos, mas com empresas médicas, o que impede a caracterização de greve.
O sindicato afirma, porém, que os contratos entre o hospital e as empresas estão em atraso há mais de sete meses e que acordos firmados com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul não estariam sendo cumpridos.
Em nota, a Santa Casa informou que, em razão do atraso nos pagamentos, houve redução no contingente de anestesiologistas, impactando a capacidade técnica e operacional da unidade e ocasionando atrasos nos procedimentos cirúrgicos.
A instituição informou ainda que cirurgias eletivas estão temporariamente suspensas, enquanto os procedimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados, conforme avaliação das equipes médicas e da coordenação do centro cirúrgico.
