O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, é investigado por homicídio e uso irregular de arma de fogo após a morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, ocorrida na última terça-feira (24). As investigações apontam que Bernal não possuía autorização válida para porte de arma e utilizou um revólver calibre 38 com documentação vencida desde 2019.
De acordo com o delegado Danilo Mansur, responsável pelo caso na 1ª Delegacia de Polícia, foi solicitado à Polícia Federal o histórico de autorização de porte do ex-prefeito. As informações preliminares indicam que ele teve permissão para portar arma apenas até 2016. O armamento utilizado no crime, embora já tenha sido regularizado anteriormente, estava em situação irregular, o que motivou a inclusão de mais um crime no inquérito.
Bernal se apresentou à polícia após o ocorrido e foi preso em flagrante. Em depoimento, alegou legítima defesa, afirmando ter sido avisado por uma empresa de segurança sobre uma suposta invasão ao imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados. Segundo sua versão, ao chegar ao local, teria sido surpreendido pela vítima e um chaveiro, reagindo com disparos.
A narrativa, no entanto, é contestada por testemunhas e pela investigação. O chaveiro que acompanhava Mazzini relatou que o portão do imóvel havia acabado de ser aberto quando Bernal entrou já com a arma em punho e efetuou os disparos, sem dar అవకాశం de reação à vítima. Segundo esse depoimento, Mazzini não teria sequer respondido antes de ser atingido.
A família da vítima também contesta a tese de legítima defesa. O advogado que representa os familiares afirma que as circunstâncias indicam um homicídio doloso, destacando que imagens mostram o autor entrando no imóvel já atirando. A avaliação preliminar da polícia segue a mesma linha.
Conforme o delegado, a dinâmica dos disparos enfraquece a versão apresentada pelo ex-prefeito. Há indícios de que o primeiro tiro foi seguido por um segundo disparo alguns segundos depois, o que, na análise da investigação, afasta a hipótese de reação imediata a uma ameaça. A confirmação dependerá dos laudos periciais e necroscópicos ainda aguardados.
Outro ponto apurado é a situação do imóvel onde ocorreu o crime. A casa, que anteriormente pertencia a Bernal, havia sido arrematada por Mazzini em leilão por cerca de R$ 2,4 milhões, após dívida de IPTU superior a R$ 300 mil. A polícia aponta que o local não apresentava características de residência habitual, levantando dúvidas sobre a alegação de que o ex-prefeito morava ali.
A defesa de Bernal sustenta que o imóvel ainda era utilizado como residência e argumenta que não havia decisão judicial definitiva que garantisse a posse ao comprador. Segundo os advogados, o ex-prefeito reagiu diante de uma situação que considerou invasão, sem saber se os envolvidos estavam armados.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que aguarda a conclusão dos laudos técnicos e novos depoimentos para esclarecer a dinâmica do crime. O chaveiro que acompanhava a vítima deve ser ouvido novamente para detalhar pontos ainda não captados pelas câmeras de segurança.
