O deputado estadual João Henrique Catan (PL) está sob investigação devido ao alto volume de gastos com combustíveis reembolsados pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). Em 2025, ele consumiu mais de R$ 63 mil em abastecimentos.
As informações, disponíveis no Portal da Transparência da Assembleia Legislativa, chamam a atenção não apenas pelos valores, mas também pelo padrão dos pagamentos. Um levantamento revela que, mês a mês, o parlamentar abasteceu seus veículos no Posto Rui Barbosa.
Em março, os gastos ultrapassaram R$ 7,2 mil, incluindo 203 litros de gasolina aditivada, 566 litros de óleo diesel S-10, 341 litros de gasolina comum e 98 litros de etanol. Somente no Posto Rui Barbosa, as despesas totalizaram R$ 56.975,81 em 2025, com preços por litro superiores a R$ 6.
A situação se torna ainda mais delicada, pois o posto que recebeu a maior parte dos recursos públicos é representado judicialmente pelo próprio Catan. Ele atua como advogado da revenda de combustíveis em um processo na 13ª Vara Cível, onde o posto processa uma empresa de engenharia, entre outros. No processo, avaliado em R$ 100 mil, João Henrique Miranda Soares Catan é identificado como advogado, registrado na OAB-MS sob o número 17.530.
Embora não haja, até o momento, evidências de ilegalidade nos reembolsos, a situação levanta questões éticas sobre o uso da cota parlamentar. A principal dúvida é por que o deputado escolheu abastecer repetidamente em um único estabelecimento, o qual possui vínculo profissional, em vez de considerar outras opções no mercado, possivelmente com preços mais acessíveis.
A continuidade dos gastos no mesmo posto e o montante significativo de recursos públicos direcionados à empresa geram preocupações sobre um possível conflito de interesses e a real necessidade das despesas apresentadas.
