Marco Aurélio Horta, conhecido como Marquinhos e ex-chefe de gabinete do deputado estadual Neno Razuk (PL), foi preso durante a 4ª fase da Operação Successione, deflagrada em 25 de novembro do ano passado. Ele é acusado pelo Gaeco de liderar a lavagem de dinheiro da organização criminosa, utilizando práticas como compra de veículos e venda de imóveis para a família do parlamentar.
De acordo com as investigações, Marquinhos estava envolvido na compra de um Corolla Cross a pedido de Neno Razuk, sendo instruído a registrar o veículo em nome de um membro do grupo. Ele também atuava como intermediário em negócios para Délia Razuk, mãe do deputado e ex-prefeita de Dourados.
“Em um diálogo, MARCO AURÉLIO menciona a compra de um veículo para NENO RAZUK, sugerindo que o automóvel deveria ser financiado em nome de outra pessoa, possivelmente dele mesmo. Ele insinuou que já havia realizado transações semelhantes em favor de ROBERTO RAZUK,” afirmam os promotores.
Em uma conversa, Marquinhos expressou preocupação com as parcelas do Corolla Cross, ressaltando que o financiamento seria significativo. “Um Corolla Cross não é barato, vai dar parcela de 10 conto, isso é 60 meses,” comentou ele, enquanto tentava encontrar alguém com um salário alto na Assembleia Legislativa para registrar o carro.
Os promotores também destacaram que Marquinhos atuava como um operador financeiro da organização criminosa, mencionando um diálogo em que ele recebeu uma proposta de um credor que buscava o recebimento de R$ 240 mil, dívida contraída por Neno Razuk. A negociação, que envolvia parcelas de R$ 60 mil, foi coordenada por Marquinhos, que também apresentou cópias de cheques na ação penal.
Em outra interação, Marquinhos revelou à ex-prefeita que estava sem dinheiro para cobrir a parcela de um automóvel que havia comprado. Délia pediu que ele intermediasse a venda de um apartamento avaliado em R$ 540 mil. Além disso, ele mencionou a inclusão de outro apartamento, pertencente ao deputado, na negociação, enfatizando que Neno não aceitava trocas e exigia pagamento em dinheiro.
Os promotores ressaltaram a importância de Marquinhos nas atividades empresariais da organização criminosa, que supostamente lavava dinheiro proveniente do jogo do bicho. Ele se apresentou como representante da família Razuk em uma área voltada à mineração, buscando parcerias com empresas especializadas.
O Gaeco denunciou Marquinhos, Neno Razuk, o pai, irmãos e mais 15 indivíduos, todos acusados de integrarem uma organização criminosa armada, explorando o jogo do bicho e realizando lavagem de capitais.
