Em Campo Grande, uma recepcionista afirma ter sofrido importunação sexual por mais de um ano dentro da empresa onde trabalhava. De acordo com a trabalhadora, o autor das investidas era um colega que não aceitava ser subordinado a uma mulher mais jovem.
Segundo o relato, o homem fazia comentários de cunho sexual e utilizava expressões ofensivas durante o expediente, o que gerava constrangimento constante no ambiente de trabalho.
“Ele era maior do que eu e me importunava todos os dias, com brincadeiras e frases de baixo calão. Nenhuma mulher deveria passar por isso”, relatou.
A recepcionista afirma que comunicou o ocorrido à proprietária da empresa, mas diz que nenhuma providência foi tomada. Durante o período em que enfrentou o assédio, ela relata ter desenvolvido crises emocionais e precisou retomar acompanhamento psicológico.
Mesmo após o caso, a vítima diz que ainda sofre com as consequências da situação.
“Eu sinto muito medo. Não consigo simplesmente deixar isso para trás. São sentimentos que ainda fazem parte do meu dia a dia”, afirmou.
O caso foi levado à Justiça do Trabalho. A defesa da trabalhadora pede indenização por danos morais e a rescisão indireta do contrato de trabalho, além da responsabilização dos envolvidos.
Aumento das denúncias
Dados do Ministério Público do Trabalho apontam que os registros de assédio sexual cresceram mais de 260% no estado nos últimos quatro anos.
Entre os fatores apontados pelo órgão para o aumento estão:
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maior participação das mulheres no mercado de trabalho;
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maior conhecimento da população sobre o crime de assédio sexual;
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aumento no número de denúncias feitas pelas vítimas.
Apesar da elevação nos registros, o MPT destaca que muitos casos ainda deixam de ser denunciados. O medo de retaliações, de perder o emprego ou de não ser acreditada ainda faz com que parte das vítimas permaneça em silêncio.
O que caracteriza assédio sexual
O assédio sexual ocorre quando uma pessoa é submetida a situações de constrangimento ou humilhação de natureza sexual no ambiente de trabalho, sem consentimento.
Entre as condutas que podem caracterizar o crime estão:
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insinuações ou propostas de teor sexual;
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comentários ou mensagens com conteúdo sexual;
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piadas de duplo sentido;
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contato físico sem consentimento.
Em 2025, o estado registrou média de dois casos denunciados por mês.
Como denunciar
O Ministério Público do Trabalho orienta que vítimas ou testemunhas podem registrar denúncias por diferentes canais:
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Pela internet, por meio do site do MPT;
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WhatsApp: (67) 99337-9968;
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Por telefone, no atendimento do órgão;
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Presencialmente, na sede do MPT em Campo Grande, localizada na Rua Doutor Paulo Machado, nº 120, no bairro Royal Park.
O atendimento presencial ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. As denúncias podem ser feitas por vítimas, testemunhas ou qualquer pessoa que tenha conhecimento do caso.

