O adolescente de 12 anos que feriu um colega com uma faca na saída de uma escola municipal de Campo Grande relatou que sofria bullying e levou a arma por medo de apanhar. Segundo a delegada Daniela Kades de Oliveira Garcia, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), as intimidações e a lesão corporal são investigadas no mesmo procedimento.
Conforme os relatos apurados pela Polícia Civil, o estudante ferido e outros dois meninos praticavam bullying contra o adolescente havia um longo período. O temor de ser agredido pelo grupo na saída da aula teria motivado o garoto a levar a faca.
O caso ocorreu na segunda-feira (28), nas proximidades da Escola Municipal Arassuay Gomes de Castro, na região do bairro Tiradentes. Segundo a versão investigada, após deixar a unidade, o adolescente foi abordado pelo colega, que teria partido para cima dele. Nesse momento, o garoto retirou a faca e avançou contra o outro estudante.
Também de 12 anos, o menino sofreu dois ferimentos, um no abdômen e outro em uma das pernas. Ele foi encaminhado ao Centro Regional de Saúde (CRS) Tiradentes e, conforme a delegada, está fora de perigo.
“Estamos apurando no mesmo procedimento a lesão corporal e o bullying”, afirmou Daniela.
Os dois envolvidos no episódio já prestaram depoimento à Polícia Civil. O estudante ferido também passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol).
A polícia identificou os outros dois meninos apontados como participantes das intimidações. Eles ainda serão ouvidos para esclarecer as circunstâncias e os episódios relatados pelo adolescente.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que tomou conhecimento da ocorrência registrada nas proximidades da escola, no horário de saída dos estudantes.
De acordo com a pasta, as informações preliminares indicavam um desentendimento entre alunos do 6º ano, fora do espaço escolar, que teria resultado em um ferimento aparentemente superficial.
A secretaria afirmou que acompanha a situação e que os fatos serão apurados pelas áreas competentes. A Divisão de Acompanhamento Escolar (DAE) atuará com a direção da unidade para orientar as medidas cabíveis e acompanhar os envolvidos.
A Semed acrescentou que busca mais informações para esclarecer o episódio. As identidades dos estudantes são preservadas por serem menores de idade.
