Alunas do curso de formação da Academia da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (Acadepol) denunciaram um delegado da corporação por supostos episódios de assédio sexual e moral durante as aulas. O caso já foi encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que abriu procedimento preliminar para apuração.
De acordo com relatos, o delegado Wellington de Oliveira, ex-vereador em Campo Grande e responsável por ministrar disciplinas na formação de novos policiais, teria feito comentários considerados ofensivos, de cunho sexual e misógino, em sala de aula. As denúncias apontam que situações semelhantes teriam ocorrido em diferentes turmas.
Entre os episódios citados, alunas afirmam que o professor fez perguntas de teor íntimo, incluindo questionamentos sobre preferências sexuais e insinuações envolvendo ambientes como motéis. Também há relatos de falas em que estudantes teriam sido associadas a perfis de “prostitutas infiltradas”, o que gerou indignação entre os colegas.
Além das acusações de assédio sexual, estudantes relatam episódios de constrangimento moral. Segundo testemunhos, o delegado teria desencorajado possíveis denúncias ao afirmar que reclamações não teriam परिणाम prático por conta de sua posição institucional.
As queixas foram formalizadas junto à direção da Acadepol e registradas em ata assinada por representantes de turma, vítimas e testemunhas. O documento foi encaminhado à Corregedoria, que já iniciou a fase preliminar de investigação. A expectativa é de que vítimas e demais envolvidos sejam ouvidos nos próximos dias.
Em nota oficial, a Polícia Civil informou que recebeu as denúncias e instaurou um Auto de Investigação Preliminar (AIP) para apurar os fatos. O procedimento prevê a coleta de depoimentos, análise do contexto das aulas e solicitação de informações à Acadepol.
A instituição destacou ainda que o delegado já concluiu a disciplina que ministrava e, atualmente, não exerce atividades acadêmicas na formação em andamento. Ressaltou também que a apuração seguirá os princípios do devido processo legal, garantindo contraditório e ampla defesa.
Procurado, Wellington de Oliveira negou as acusações. Ele afirmou que as aulas abordavam situações reais da atividade policial e que eventuais falas foram retiradas de contexto. Segundo o delegado, os exemplos utilizados tinham finalidade didática e não configuram assédio.
O caso segue sob investigação administrativa.

