Na primeira semana deste mês, a Receita Federal e a Polícia Militar apreenderam um montante de notas falsas que pode ultrapassar R$ 1 milhão na região de fronteira com a Bolívia. As cédulas de reais e dólares foram encontradas em poder de um homem que alegou que o dinheiro seria destinado a feiras em Corumbá.
A apreensão gerou temor entre os comerciantes locais, que somam 326 empresários e atraem mais de 10,5 mil consumidores semanalmente, diante da possibilidade de uma inundação de notas falsas no mercado. O homem, que se apresentou como taxista boliviano, foi interceptado no Posto Esdras, onde as notas estavam escondidas em 24 fileiras de cédulas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200.
Durante a abordagem, o motorista afirmou que as cédulas foram impressas em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e que seriam utilizadas em feiras populares de Corumbá, incluindo um ritual tradicional boliviano relacionado à Pachamama, ou Mãe Terra. No entanto, essa alegação levantou suspeitas, já que a celebração de Pachamama ocorre apenas em agosto.
A situação deixou os feirantes, que em sua maioria são bolivianos, preocupados com o risco de prejuízos financeiros. A Associação de Comerciantes de Feiras Livres de Corumbá 2 de Maio relatou que já identificou notas falsas, especialmente de R$ 20, e que, desde dezembro, também têm recebido cédulas de R$ 100. O presidente da associação, Lucídio Morel, destacou que muitos comerciantes já enfrentaram perdas devido a esse problema.
Apesar das alegações do motorista, ele não foi preso, pois não havia flagrante que justificasse a detenção. O caso foi encaminhado à Polícia Federal para investigação, visando identificar a origem das notas e o responsável pela distribuição. A Receita Federal alertou que a falsificação de moeda é um crime previsto no Código Penal Brasileiro, com penas que variam de 3 a 12 anos de reclusão, além de multa.
A associação de feirantes sugeriu uma colaboração com as autoridades para aumentar a conscientização e prevenir a circulação de notas falsas. Em Corumbá e Ladário, feiras livres ocorrem diariamente, com destaque para a feira de domingo, que atrai até 5 mil pessoas. A variedade de produtos vendidos inclui móveis, alimentos, roupas e utensílios domésticos.

