Defesa contesta prisão de Amilton Ferreira e anuncia habeas corpus; MP aponta indícios de vazamento da Operação Infiltrados
A mobilização de cerca de 40 advogados no Fórum de Campo Grande não alterou a situação de Amilton Ferreira de Almeida, que permaneceu preso após audiência de custódia nesta quarta-feira (30). Investigado por suspeita de antecipar informações sigilosas da Operação Infiltrados ao delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ele está no Presídio Militar Estadual.
Segundo a advogada Damares Machado, a defesa e a OAB solicitaram o relaxamento da prisão ou a concessão de liberdade provisória. Conforme seu relato ao Campo Grande News, o magistrado não analisou os pedidos por entender que aquele não seria o momento processual para apreciá-los.
Os colegas acompanharam a audiência em uma mobilização que, segundo os participantes, buscava defender as prerrogativas da advocacia criminal. A defesa considera a prisão ilegal e anunciou que apresentaria, ainda nesta quarta-feira, um habeas corpus ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Amilton foi preso na terça-feira (29), durante a Operação Obstructio, do Gaeco. A prisão temporária foi decretada por 30 dias. A investigação apura se ele avisou previamente Hoffman sobre a operação deflagrada em 24 de setembro, quando o delegado deixou sua residência antes da chegada das equipes responsáveis pelo cumprimento do mandado de prisão.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul sustenta que existem evidências de comunicação antecipada da ação policial e afirma que o episódio prejudicou diretamente as investigações.
A defesa nega que Amilton soubesse da operação. Segundo Damares, o advogado havia combinado um café com Hoffman por volta das 5h, horário que seria habitual porque ambos costumavam caminhar cedo. Depois do encontro, o delegado não voltou para casa e não foi localizado pelos policiais. Posteriormente, apresentou-se à Corregedoria.
Ainda conforme a defesa, não há provas concretas de vazamento, e Amilton disponibilizou seu celular para análise. Hoffman passou a ser representado pelo advogado José Roberto Rosa.
A Operação Infiltrados investiga suspeitas de desvio e venda de drogas apreendidas por policiais em Mato Grosso do Sul. Segundo o Gaeco, os entorpecentes eram omitidos dos registros oficiais ou retirados de depósitos de delegacias e repassados a traficantes. Hoffman é apontado pelos investigadores como líder de um dos núcleos apurados.
