Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram flagrados realizando uma ação incomum para garantir a segurança viária em Mato Grosso do Sul. Policiais taparam buracos na rodovia de forma improvisada, utilizando terra, cascalho, pedras e as próprias mãos (além de enxadas e carrinhos de mão).
BR-376, no trecho que liga Ivinhema a Nova Andradina, a cerca de 290 km de Campo Grande. A precariedade do asfalto estava causando acidentes e danos. A reportagem apurou que cerca de seis veículos tiveram pneus furados recentemente no local.
Motoristas estavam sendo forçados a frear bruscamente ou invadir a pista contrária para desviar das crateras.
Responsabilidade pela Via
A notícia destaca que, embora a função da PRF seja a fiscalização, os agentes agiram por necessidade urgente. A responsabilidade oficial pelas obras de revitalização e manutenção da rodovia é do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
O que diz a nota do DNIT
Em resposta à repercussão do vídeo dos policiais tapando buracos, o DNIT emitiu uma nota informando que “os trabalhos estão sendo executados conforme as condições climáticas permitem”.
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A justificativa: O órgão atribui a dificuldade de manutenção imediata e eficaz às chuvas frequentes neste início de ano (janeiro de 2026), que atrapalham a aderência do material asfáltico.
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O tipo de serviço: A resposta sugere que o foco continua sendo a manutenção rotineira (o famoso “tapa-buracos” oficial), e não uma obra estrutural de recapeamento completo neste momento.
A atitude da PRF expôs que a manutenção padrão não está dando conta da degradação da via.
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Enquanto o DNIT cita o clima, a realidade mostrada é de crateras que rasgam pneus (quatro veículos danificados apenas no dia da gravação).
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A ação dos policiais foi uma medida de desespero e proteção à vida, já que a burocracia do reparo oficial não chegou a tempo de evitar os riscos iminentes.
Promessas Antigas e Orçamento Curto
A situação da BR-376 não é novidade. Há um histórico de solicitações que ajuda a entender por que se chegou a este ponto:
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Histórico de pedidos: Ao longo de 2025, autoridades locais (como deputados e prefeitos da região do Vale do Ivinhema) já haviam se reunido com a superintendência do DNIT pedindo não apenas tapa-buracos, mas a inclusão de acostamentos e terceira faixa, dado o fluxo pesado da rodovia.
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Cenário Financeiro: Informações de bastidores e de entidades do setor indicam que o orçamento do DNIT para 2026 sofreu reduções em comparação a anos anteriores, o que pode estar limitando a capacidade do órgão de realizar grandes obras de revitalização em todo o estado, forçando-o a priorizar apenas o “apagamento de incêndios”.
O DNIT reconhece o problema, mas pede paciência culpando a chuva, sem prometer uma solução definitiva (como um recapeamento total) a curto prazo.
