O preço do tomate voltou a pressionar o orçamento dos consumidores de Campo Grande. Com o quilo vendido por até R$ 20,69 em supermercados, moradores têm reduzido as compras ou substituído o produto na salada. No atacado, a caixa de 20 quilos do tomate rasteiro passou de R$ 90 para R$ 160 em uma semana, aumento superior a 77% na Ceasa-MS (Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul).
A alta também aparece nas gôndolas, onde o preço do tomate para salada chegou a dobrar em alguns estabelecimentos. Na rede Comper, o quilo era comercializado por R$ 15,89. No Mercado do Produtor, custava R$ 16,99 nesta terça-feira (3), enquanto no Minoru chegava a R$ 18. No Frama, o tomate saladete alcançou R$ 20,69 o quilo.
A economista Andreia Ferreira, supervisora técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em Mato Grosso do Sul, atribui o encarecimento às chuvas excessivas e à redução da área plantada. A combinação diminui a quantidade disponível para venda, mesmo sem crescimento da procura.
Na avaliação da economista, a oferta menor mantém os preços elevados e faz com que frutos de qualidade apenas razoável cheguem ao consumidor por valores altos. Diante desse cenário, as famílias procuram alternativas para substituir o tomate nas refeições.
Antes da disparada, o produto havia registrado queda de 9,71% na comparação entre setembro do ano passado e o mesmo mês deste ano, de R$ 7,10 para R$ 6,41. A mudança de comportamento começou em outubro. Conforme o Dieese, o menor preço encontrado na pesquisa subiu de R$ 3,98 em setembro para R$ 5,99 no mês seguinte, avanço de aproximadamente 50%.
A servidora pública federal Alianete Rodrigues da Silva passou a controlar a quantidade utilizada nas refeições e, em algumas compras, deixa o tomate de fora. Para completar a salada, recorre a opções como repolho, couve e acelga.
“Comprei, mas depende da quantia da salada, eu uso, no máximo, dois. Às vezes, nem compro”, relata. Ela afirma ter encontrado o quilo por até R$ 18.
O porteiro e vigilante Paulo Lima, de 42 anos, também diminuiu a quantidade comprada, mas mantém o produto na alimentação. “Salada sem tomate não é salada”, afirma.
Nos restaurantes, o aumento exige ajustes para manter os pratos no cardápio. O empresário Luiz Divaln, do Tradição Gaúcha, conta que já desembolsou R$ 300 por uma caixa de 20 quilos de tomate. Antes, o valor máximo que costumava pagar era de R$ 80. Para ele, o patamar atual é o mais elevado já encontrado no mercado da Capital.
Para continuar servindo vinagrete, acompanhamento tradicional do churrasco, o empresário reduziu a participação do tomate e aumentou a quantidade de cebola. A alternativa, porém, também ficou mais cara: a caixa da cebola passou de R$ 50 para R$ 130.
As dificuldades começam nas lavouras. Conforme a Ceasa-MS, as chuvas nas regiões produtoras comprometeram a qualidade dos frutos e favoreceram doenças. Desde agosto, houve aumento na incidência de mancha-bacteriana, associada a bactérias do gênero Xanthomonas, e de pinta-bacteriana, relacionada ao gênero Pseudomonas.
Em setembro, as precipitações acima da média agravaram os danos e provocaram manchas nos tomates colhidos. O excesso de chuva também dificultou a aplicação de defensivos agrícolas e o controle das doenças. A continuidade das precipitações em outubro manteve a pressão sobre a produção.
A previsão informada é de que a colheita das áreas transplantadas em agosto comece entre novembro e dezembro.
O tomate já protagonizou outros períodos de forte valorização. Em 2013, quando o quilo chegou a R$ 10, a apresentadora Ana Maria Braga usou um colar feito com o produto no programa Mais Você, da TV Globo, em uma referência ao encarecimento do alimento.