Após comentário em vídeo sobre dispensas de eleitores de Lula, ex-deputada nega desligamentos e afirma que restaurantes pertencem aos filhos
A ex-deputada estadual e ex-vereadora de Dourados Bela Barros (PDT) voltou atrás depois de afirmar nas redes sociais que havia demitido um funcionário e pretendia dispensar outros oito “em nome de Jesus”. Em vídeo de retratação, pediu desculpas, negou os desligamentos e declarou não ter autoridade para contratar ou demitir nos restaurantes mencionados na publicação.
A declaração inicial foi feita no Instagram, nos comentários de um vídeo do pastor Leandro Reis, da Igreja Deus Tem Mais, no Rio de Janeiro. O religioso abordava supostos casos de empresários que estariam dispensando trabalhadores por terem votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Hoje nós tbem demitimos 1, mas vamos demitir uns oito em nome de Jesus”, escreveu Bela. Na manifestação, ela não apresentou detalhes sobre o funcionário ou as circunstâncias do suposto desligamento.
Em outros comentários, a ex-parlamentar afirmou possuir sete restaurantes e defendeu que consumidores comprassem de empresários sem ligação com o PT.
Retratação após repercussão
Segundo reportagem do Campo Grande News, Bela publicou um vídeo de desculpas após a repercussão nesta terça-feira (27). Disse estar envergonhada e atribuiu os comentários à tristeza com o resultado eleitoral.
Na nova manifestação, afirmou que os restaurantes pertencem aos filhos, que desconheciam suas publicações. Também negou que funcionários tivessem sido dispensados ou que novas demissões estivessem previstas.
A retratação contradiz o comentário inicial. As informações consultadas não comprovam desligamentos por motivação política nos estabelecimentos citados.
Boicotes atingem comerciantes
O episódio ocorre em meio à circulação de listas de boicote a empresas apontadas como ligadas a eleitores de Lula em Mato Grosso do Sul.
Em Dourados, comerciantes divulgaram esclarecimentos após seus estabelecimentos aparecerem nessas relações. Situações semelhantes foram relatadas em Jardim, inclusive por empresários que disseram não ter declarado apoio ao presidente.
Outro caso envolve Helenita Brum, dirigente do Grupo Valebrum, que opera franquias de O Boticário no estado. Em vídeo que circula nas redes sociais, ela atacou eleitores do PT e afirmou: “Quero que passe fome”.
Segundo o Campo Grande News, o episódio motivou denúncias ao Ministério Público do Trabalho. O Grupo Boticário repudiou as declarações e informou que elas não representam seus valores. Não há comprovação de demissões por motivação política nas empresas do grupo.
Denúncias mais que triplicam em MS
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul contabilizou 35 denúncias de assédio eleitoral até segunda-feira (26). No primeiro turno, em 4 de outubro, eram 11 registros. O aumento foi de aproximadamente 218%. Em todo o país, o órgão recebeu 1.937 denúncias relacionadas às eleições deste ano.
O MPT-MS alerta que ameaças de demissão, intimidações e represálias relacionadas à escolha política podem ser denunciadas mesmo após o encerramento da votação. A orientação também abrange condutas praticadas por mensagens e redes sociais.
Segundo o órgão, nenhum trabalhador é obrigado a revelar seu voto nem pode sofrer punições por sua preferência política. As denúncias continuam sendo recebidas pelo canal eletrônico do MPT-MS.
