A distribuição de recursos do PT entre os quatro deputados estaduais eleitos em Mato Grosso do Sul apresentou diferenças expressivas nas eleições de 4 de outubro. Conforme os valores reunidos no levantamento, Professora Gleice Jane recebeu R$ 1.035.500 do partido, enquanto Tiago Botelho contou com R$ 95.100, o menor repasse entre os petistas que conquistaram uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Apesar de receber quase 11 vezes o valor destinado a Botelho, Gleice obteve 29.844 votos. O colega de partido alcançou 39.387, uma vantagem de 9.543 votos. A votação da deputada foi, portanto, 24,2% inferior à de Tiago.
Ao dividir exclusivamente os repasses partidários pelo número de votos, a relação ficou em R$ 34,70 para Gleice e R$ 2,41 para Botelho. A diferença entre os dois indicadores supera 1.300%.
Esses valores representam apenas a proporção entre o dinheiro recebido do partido e a votação de cada candidato. Não correspondem ao custo total das campanhas.
Zeca do PT, o mais votado entre os candidatos da legenda à Assembleia, recebeu R$ 265.500 em recursos partidários e conquistou 42.714 votos. Nesse caso, a relação foi de R$ 6,22 por voto.
Pedro Kemp recebeu os mesmos R$ 265.500, mas terminou a eleição com 28.397 votos, o que resultou em um indicador de R$ 9,35 por voto.
Com repasses idênticos, Zeca somou 14.317 votos a mais que Kemp, uma diferença de aproximadamente 50,4%.
A comparação mostra que o volume de recursos transferidos pelo partido não acompanhou proporcionalmente a votação dos quatro eleitos. Gleice, que recebeu o maior repasse, ficou atrás de Zeca e Botelho nas urnas, enquanto Tiago apresentou a menor relação entre recursos partidários e votos obtidos.
O cálculo considera somente os valores informados como transferências do PT para cada candidatura. Ficam de fora outras possíveis fontes de financiamento, como doações de pessoas físicas e recursos próprios dos candidatos.
O indicador também não permite concluir que todo o dinheiro recebido tenha sido utilizado durante a campanha ou identificar como os recursos foram empregados.
Os valores dos repasses foram apontados no levantamento como extraídos do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ainda precisam ser confrontados com as prestações de contas eleitorais para confirmação documental.
