A lista com os nomes de servidores das forças de segurança e outros investigados alvos da Operação Infiltrados começou a ser divulgada nesta quinta-feira (24). Entre os envolvidos aparecem delegado, policiais civis, policial militar, policial penal, ex-policial e familiares de um homem investigado por tráfico de drogas.
A ação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, para apurar um esquema de desvio de cocaína apreendida em operações policiais.
Entre os nomes relacionados aos mandados estão:
- Hoffman D’ávila Cândido e Sousa, delegado da Polícia Civil;
- Douglas Tobias, policial civil;
- Neverson Vieira de Araújo, policial civil;
- Luiz Carlos de Souza, policial civil;
- Nelson Ricardo Barros de Oliveira, policial civil;
- Nilton César Sales dos Santos, policial civil;
- Alison Lemes Bezerra, policial militar;
- Augusto Torres Galvão Florindo, ex-policial civil;
- Vitor Ribeiro Venancio dos Santos, policial penal, que já estava preso;
- Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, investigado por tráfico;
- Valdenice da Silva Goes, mãe de Lucas;
- Ana Carolina da Silva dos Santos, irmã de Lucas;
- Wesley Benites.
Também consta entre os alvos o investigador Roberto Palmeira da Silva, atualmente afastado das funções por questões de saúde. A informação inicial era de que ele deveria se apresentar às autoridades.
O delegado Hoffman D’ávila Cândido e Sousa, que já comandou a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), também teve mandado de prisão expedido. Ele se apresentou posteriormente na Corregedoria da Polícia Civil.
Outro policial civil citado entre os investigados é Marcos André Santos Chaves, atualmente lotado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
Até a divulgação das informações, as autoridades ainda não haviam apresentado oficialmente a relação completa de todos os mandados cumpridos.
Servidores já eram investigados
Após a operação, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) informou que os servidores envolvidos já estavam sendo investigados pelas corregedorias das respectivas instituições.
Segundo a pasta, três deles já haviam sido presos anteriormente e um servidor havia sido exonerado recentemente.
A secretaria afirmou ainda que não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas cometidas por integrantes das forças de segurança e que eventuais irregularidades serão apuradas conforme a legislação e o devido processo legal.
Operação cumpriu mais de 60 mandados
A Operação Infiltrados cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 ordens de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Além de endereços ligados aos investigados, uma garagem de veículos localizada na Avenida Bandeirantes, em Campo Grande, também esteve entre os alvos.
As investigações começaram em outubro de 2025, após provas obtidas nas operações Traquetos e Blindspot apontarem a possível participação de policiais em um esquema de desvio de drogas apreendidas.
Droga voltava ao tráfico
Conforme a investigação, o grupo teria utilizado diferentes métodos para retirar cocaína da custódia do Estado.
Em uma das práticas investigadas, parte da droga efetivamente apreendida não seria registrada nos documentos oficiais. Em outros casos, entorpecentes teriam sido retirados diretamente do depósito de delegacia.
Depois do desvio, a cocaína seria repassada a traficantes ligados ao grupo, responsáveis por recolocar a droga no mercado ilegal.
O Gaeco investiga a participação individual de cada um dos envolvidos e a extensão do esquema.
