O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que está sendo procurado desde a manhã de hoje pelo Gaeco em uma operação que também atingiu outros agentes de segurança em Campo Grande, construiu boa parte de sua trajetória recente na Polícia Civil justamente no combate ao narcotráfico.
Durante anos na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), inclusive como titular da unidade, Hoffman apareceu à frente de investigações, coletivas de imprensa e grandes apreensões de entorpecentes. O histórico inclui operações contra organizações criminosas, tráfico interestadual, distribuição de drogas em bairros de Campo Grande e carregamentos que, segundo as investigações da época, tinham até a Europa como destino.
A operação de hoje tem a participação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), com participação das corregedorias das forças de segurança. As primeiras informações apontam investigação envolvendo tráfico de drogas e suspeitas relacionadas ao desvio de entorpecentes apreendidos. Até as primeiras horas da manhã, porém, os órgãos responsáveis ainda não haviam divulgado detalhadamente as acusações individualizadas contra Hoffman e os demais investigados.
Hoffman deixou a Denar em fevereiro deste ano para assumir o comando do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros). Permaneceu cerca de quatro meses na unidade e, em junho, foi removido para a 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande.
Veja operações e grandes ações com participação de Hoffman
- Operação Ômega – 2019 a 2021
A Ômega tornou-se uma operação permanente da Denar voltada principalmente ao combate ao tráfico de drogas. Em setembro de 2019, uma de suas fases terminou com quatro prisões e a apreensão de mais de uma tonelada de maconha em Dourados. Em janeiro de 2021, Hoffman apareceu como delegado responsável por uma ofensiva na região da antiga rodoviária e do Jardim Nhanhá, em Campo Grande, que terminou com sete pessoas presas. Outras fases resultaram em apreensões e prisões em diferentes regiões da Capital. - Operação Didelphis – 2019
A investigação mirou um grupo suspeito de transportar cocaína e pasta-base de Corumbá para Campo Grande e outros estados. Segundo os dados divulgados na época, a apuração durou aproximadamente um ano e levou à apreensão de cerca de 70 quilos de cocaína e pasta-base, além de veículos e armas. Hoffman participou da apresentação dos resultados da investigação. - Operação Ouro Branco – 2021
Uma das maiores ofensivas daquele período conduzidas pela Denar, a Ouro Branco investigou tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Na primeira fase foram expedidos 80 mandados, sendo 16 de prisão e 64 de busca e apreensão. Hoffman foi um dos delegados responsáveis pela apresentação da operação e de seus desdobramentos. - Operação Unitatem – 2022
Em ação conjunta entre a Denar e a Polícia Rodoviária Federal, um dos desdobramentos da Unitatem resultou na apreensão de 3,8 toneladas de maconha e 35,2 quilos de cocaína. Na ocasião, Hoffman, então delegado adjunto da Denar, explicou que os carregamentos pertenciam a grupos criminosos distintos. - Operação Imbirussu – 2022
Depois de aproximadamente dois meses de investigação, a Denar cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em cerca de sete bairros da região do Imbirussu, em Campo Grande. Aproximadamente 120 policiais participaram da ofensiva e sete pessoas foram presas em flagrante. Hoffman, então titular da especializada, apresentou os resultados da ação. - Maior apreensão de cocaína da Polícia Civil – 2024
Uma investigação conduzida pela Denar terminou na apreensão de aproximadamente 650 quilos de cocaína em Bela Vista. Na época, a Polícia Civil classificou o carregamento como a maior apreensão da droga já realizada pela instituição em Mato Grosso do Sul. O entorpecente foi avaliado em cerca de R$ 15 milhões e, segundo Hoffman, parte da carga seguiria para portos paulistas antes de ser enviada à Europa. - Operação Saturação – 2024
Com caráter permanente, a operação concentrou ações contra o chamado tráfico “formiguinha” em áreas como a Vila Nhanhá. Em uma das fases, aproximadamente 90 pessoas foram abordadas e seis acabaram conduzidas. Hoffman defendia que o combate aos pequenos pontos de venda também ajudava a reduzir crimes patrimoniais associados ao consumo e comércio de drogas. - Operação Forasteiros – 2025
A Denar de Mato Grosso do Sul apoiou a Polícia Civil de Goiás em investigação contra tráfico interestadual. Em Campo Grande, quatro mandados de busca e um de prisão temporária foram cumpridos. Três mulheres foram presas e 234 quilos de maconha apreendidos. A Polícia Civil estimou prejuízo de aproximadamente R$ 500 mil ao grupo investigado. Hoffman era o titular da Denar. - Operação Janus – 2025
Uma das últimas grandes operações da Denar sob o comando de Hoffman cumpriu 22 mandados em Campo Grande, Dourados, Miranda e Corumbá. Foram oito prisões temporárias e 14 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar uma organização voltada à distribuição de drogas em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. Hoffman apresentou publicamente detalhes da estrutura investigada.
Mudanças antes da prisão
Depois de anos ligado diretamente ao enfrentamento do tráfico, Hoffman deixou a Denar em fevereiro de 2026 para comandar o Garras. A passagem pela especializada durou 113 dias. Em junho, ele foi transferido para a 6ª Delegacia de Polícia Civil, na região das Moreninhas.
Pouco mais de três meses depois, o delegado acabou preso na operação realizada nesta quinta-feira. Também são alvos policiais que tiveram passagem pela Denar e que posteriormente foram transferidos para outras unidades da Polícia Civil.
A investigação segue em andamento. A prisão cautelar e a condição de investigado não representam condenação, e as responsabilidades de cada um dos alvos ainda deverão ser apuradas no decorrer do processo.

