A ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, permanece presa após duas decisões judiciais contrárias aos pedidos apresentados por sua defesa. Detida desde 11 de setembro, durante a Operação Antidotum, ela é investigada por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes e desvios de recursos do hospital.
Os advogados tentaram revogar a prisão preventiva ou conseguir a transferência para prisão domiciliar. No Núcleo de Garantias, responsável por autorizar a operação, o pedido foi negado pela juíza May Melke Penteado Siravegna.
Na decisão, a magistrada considerou que a idade de Alir, de 71 anos, não justifica, por si só, a mudança da modalidade de prisão. Também apontou que não foi comprovada a existência de problema grave de saúde. A juíza determinou, porém, que sejam assegurados atendimento e acesso à medicação no Presídio Militar Estadual.
Em outra tentativa de obter a liberdade, a defesa apresentou habeas corpus ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). O desembargador José Ale Ahmad Netto, da 2ª Câmara Criminal, negou o pedido liminar. O mérito do habeas corpus ainda será analisado pelo colegiado.
A defesa informou que avalia as próximas medidas a serem adotadas.
Também foi publicada nesta quarta-feira (23) uma decisão do Núcleo de Garantias que manteve a prisão do diretor financeiro da Santa Casa, Rinaldo Hakme Romano.
Investigação apura fraudes em contratos
Deflagrada em 11 de setembro pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Operação Antidotum investiga suspeitas de irregularidades em contratos da Santa Casa e da operadora Santa Casa Saúde. A ação foi conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Além de Alir e Rinaldo, estavam entre os alvos o diretor-adjunto de finanças, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa; o diretor administrativo, Alessandro Dias Junqueira; a coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística, Monique Gregório de Oliveira; e o empresário Maurício Aparecido Benites.
Uma das frentes da investigação envolve um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande (ABCG), mantenedora do hospital, para digitalização de prontuários. Segundo o MPMS, foram identificados pagamentos elevados sem a correspondente execução dos serviços.
O acordo previa desembolso anual de R$ 1,8 milhão durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Conforme a apuração, o suposto desvio chegou a R$ 1,4 milhão somente no primeiro ano de vigência.
Contratos da operadora também são investigados
O Gecoc também apontou indícios de irregularidades em contratos da Santa Casa Saúde com empresas de um mesmo grupo, cujo proprietário teria ligação com a diretoria do hospital.
De acordo com a investigação, as empresas estavam registradas em um único endereço, mas o imóvel estava desocupado. Em 2025, a operadora pagou R$ 9,6 milhões a essas prestadoras. O prejuízo identificado nessa frente da apuração é de, pelo menos, R$ 3,5 milhões.
Os investigadores afirmam ainda que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente ocultados dos órgãos de controle, entre eles o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado (CGE-MS).
O valor total dos possíveis desvios permanece sob investigação. A operação teve apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS. O nome Antidotum vem do latim e significa “antídoto”.

