A bebê Ayla Emanuelly, de um mês, retornou a Campo Grande nesta terça-feira (11), dois dias depois de ser encontrada no Paraguai. A criança, que havia sido levada na quinta-feira (6), está sob os cuidados do Conselho Tutelar enquanto a Justiça analisa qual será o seu destino e a possibilidade de devolução à família.
Por enquanto, a determinação é de acolhimento da bebê. A definição sobre a guarda e eventual retorno aos familiares dependerá de decisão judicial após a avaliação das circunstâncias envolvendo o caso.
Ayla desapareceu em Campo Grande e foi localizada com vida na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha a Ponta Porã.
Mãe relatou ameaças
Segundo depoimento prestado à polícia, a mãe de Ayla, uma adolescente de 17 anos, foi até a residência de uma mulher que havia oferecido R$ 100 para que ela cuidasse da bebê. A jovem estava acompanhada da irmã, de 12 anos, e da filha.
No imóvel, as três teriam recebido água. Conforme o relato da adolescente, ela permaneceu acordada, enquanto a irmã adormeceu e só despertou por volta das 20h.
A mãe afirmou ainda ter sido ameaçada e obrigada a entregar a criança. Segundo ela, a suspeita disse que, caso houvesse resistência, a adolescente e a irmã seriam jogadas em um buraco. Após as ameaças, Ayla foi levada.
Suspeitos foram encontrados no Paraguai
As investigações levaram as autoridades até Pedro Juan Caballero, onde Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa foram encontrados em uma residência com a bebê. Os dois foram presos pelas autoridades paraguaias e posteriormente encaminhados ao Brasil. Eles estão detidos em Ponta Porã.
Além da investigação pelo sequestro, Alex tinha um mandado de prisão em aberto relacionado a um homicídio ocorrido no Amazonas. Ele foi condenado a 11 anos e seis meses de prisão, em regime fechado.
Um terceiro homem suspeito de participação no caso também foi preso no sábado (8). De acordo com a investigação, ele teria cedido o imóvel utilizado pelos envolvidos. A defesa informou que busca esclarecer os fatos e sustenta que o cliente não possui relação direta com o crime investigado.
Cooperação entre Brasil e Paraguai
A localização da criança contou com uma operação integrada entre autoridades brasileiras e paraguaias. Após o registro do desaparecimento, a Polícia Civil de Ponta Porã foi acionada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).
Informações levantadas durante a investigação indicaram que a mulher suspeita de estar com Ayla havia seguido para o Paraguai.
O Comando Bipartite, estrutura de cooperação entre forças de segurança dos dois países, participou das buscas, juntamente com equipes da Diretoria de Polícia de Amambay e da unidade antissequestro paraguaia.
A troca de informações permitiu identificar a residência em Pedro Juan Caballero onde a bebê estava. Ayla foi resgatada com vida e, após os procedimentos necessários na região de fronteira, levada de volta a Campo Grande.
As investigações continuam sob responsabilidade da DEPCA para esclarecer a participação de cada suspeito e todas as circunstâncias do sequestro.

