A Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), resultou nesta terça-feira (7) na prisão da cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e de sua filha, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar. As duas estão entre os alvos da investigação que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos para compra de livros paradidáticos e possíveis irregularidades na área da saúde.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 27 milhões por meio de contratos firmados com suspeita de direcionamento, utilizando processos de inexigibilidade de licitação e mecanismos para ocultar a origem dos recursos.
Rossana foi presa no Edifício Porto Madero, no Bairro São Francisco, em Campo Grande. Horas antes, Olívia havia sido detida no Edifício Olavo Bilac, na Avenida Ricardo Brandão. A médica é sócia-administradora da Clínica Ross, empresa fundada em maio deste ano e que também foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação.
Além das suspeitas envolvendo a área da educação, o Gaeco investiga uma possível rede de influência dentro da saúde pública. A apuração aponta que agentes com acesso à regulação estadual poderiam ter utilizado vagas hospitalares, exames e cirurgias do SUS para beneficiar ou pressionar municípios ligados ao esquema.
A família Jafar também mantém ligação com a Gráfica Alvorada, administrada por Rossana. A empresa já havia sido citada em investigações relacionadas à aquisição de materiais didáticos por órgãos públicos. Em 2017, a dentista foi alvo da Operação Máquinas de Lama, desdobramento da Lama Asfáltica, conduzida pela Polícia Federal.
Ao todo, a Operação Gutenberg cumpre 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, além de ações nos estados de São Paulo e Goiás.
Entre os investigados está Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e servidor cedido ao gabinete do deputado estadual Jamilson Name na Assembleia Legislativa. Ele também exerce o cargo de escrivão da Polícia Civil.
Outro preso é Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A suspeita é de que servidores com influência sobre a regulação da saúde tenham utilizado a estrutura pública para atender interesses relacionados ao esquema investigado.
Em Porto Murtinho, o servidor municipal Marcio de Souza também foi alvo da operação. Durante o cumprimento do mandado, policiais encontraram um revólver calibre .22, levando à sua prisão em flagrante por porte irregular de arma de fogo. Ele alegou que a arma havia pertencido ao pai, militar da reserva já falecido.
Já em Dourados, durante buscas na residência de uma dentista investigada, agentes localizaram uma espingarda calibre .22 e munições. O marido da profissional foi conduzido à delegacia e autuado por posse ilegal de arma de fogo.
Em nota, o deputado Jamilson Name afirmou que Junior Vasconcelos não ocupa cargo de chefia em seu gabinete, exercendo apenas funções administrativas, e defendeu que as investigações ocorram com responsabilidade e respeito ao devido processo legal.
Até a última atualização, as defesas dos principais investigados não haviam se manifestado sobre as acusações.
Fonte: Campo Grande News
