A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que deve decidir até a próxima sexta-feira (19) se irá decretar intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do transporte coletivo em Campo Grande. Segundo ela, a medida poderá ser adotada caso a empresa não apresente propostas concretas para melhorar os serviços prestados à população.
Durante agenda pública nesta segunda-feira (15), Adriane destacou que mantém diálogo aberto com os representantes do consórcio, mas condicionou qualquer entendimento à apresentação de resultados e investimentos. A prefeita ressaltou que a administração municipal tem sido cobrada pela qualidade do transporte e que a concessionária também precisará responder às demandas da população.
De acordo com a chefe do Executivo, a renovação da frota é uma das principais exigências. Ela citou que atualmente 235 ônibus precisam ser substituídos e alertou que, em cerca de seis meses, esse número poderá chegar a 330 veículos caso não haja providências.
A possibilidade de intervenção ganhou força após o grupo de trabalho criado pela Prefeitura para avaliar a execução do contrato recomendar formalmente a medida. O relatório final, concluído em 8 de junho, aponta uma série de problemas operacionais e administrativos que, na avaliação da comissão, justificam uma ação mais rigorosa do poder público.
Entre os fatores considerados estão mais de 15 mil registros de descumprimento de horários e supressão de viagens, além do aumento nos índices de reprovação das inspeções de segurança veicular. Conforme o documento, a taxa de veículos reprovados passou de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025.
A comissão recomendou que a prefeitura instaure um processo de intervenção por meio de decreto e nomeie um interventor para acompanhar a concessão. O relatório destaca, contudo, que a medida deve ter caráter temporário, investigativo e fiscalizador, com abertura de procedimento administrativo em até 30 dias após eventual decretação.
Enquanto a decisão não é tomada, representantes do Consórcio Guaicurus buscam agendar reunião com a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg). A prefeitura afirma que segue aberta ao diálogo, mas reforça que espera propostas capazes de reverter os problemas apontados no sistema de transporte coletivo.
