O juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, rejeitou o pedido do empresário Camillo Gandi Zahran Georges para unificar a ação penal em que ele responde por suposto estelionato de R$ 5,3 milhões com uma investigação policial em andamento em São José do Rio Preto (SP).
Camillo é um dos acusados na segunda fase da Operação Castelo de Cartas, conduzida pela Polícia Civil paulista. De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ele e outros quatro réus teriam se aproveitado da relação de amizade com um casal para oferecer investimentos em negócios que, segundo a acusação, não existiam.
Os fatos investigados teriam ocorrido entre março e dezembro de 2023. Conforme a denúncia, em abril daquele ano as vítimas aplicaram R$ 2,5 milhões em um suposto empreendimento de exportação de ouro, atraídas pela promessa de retorno mensal de R$ 93,7 mil.
No entanto, os rendimentos prometidos não foram pagos. Posteriormente, o grupo informou que os recursos teriam sido perdidos em operações de garimpo, mas garantiu que devolveria os valores até janeiro de 2024, o que, segundo as vítimas, não ocorreu.
Em fevereiro de 2024, os envolvidos assinaram um contrato de confissão de dívida, prevendo um pagamento inicial de R$ 500 mil. Apesar disso, o casal sustenta que parte do acordo deixou de ser cumprida, com parcelas que somavam R$ 381,3 mil em atraso. O valor total reconhecido no documento alcançava R$ 5,3 milhões.
A denúncia também aponta que os recursos recebidos foram transferidos de forma fragmentada para contas de terceiros e empresas, procedimento conhecido como “pulverização”, supostamente utilizado para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Com base na existência de um inquérito policial em São José do Rio Preto, a defesa de Camillo solicitou o reconhecimento de conexão entre os casos, argumentando que haveria continuidade delitiva e a necessidade de julgamento conjunto para evitar decisões divergentes.
Ao analisar o pedido, o magistrado observou que a investigação em São Paulo ainda não resultou em ação penal e sequer há informação sobre sua conclusão. Por esse motivo, entendeu não haver justificativa para reunir os procedimentos.
Na decisão, o juiz destacou que a eventual unificação poderia provocar atraso no andamento do processo em Campo Grande, uma vez que dependeria de diligências em outro estado e de um inquérito ainda em fase investigativa.
A decisão foi publicada no Diário da Justiça. Em nota anterior, o Grupo Zahran informou que Camillo não possui vínculo societário ou comercial com empresas pertencentes ao conglomerado.

