Cerca de 110 mil alunos ficaram sem aulas nesta sexta-feira (12) após a paralisação de professores da Rede Municipal de Ensino (REME) de Campo Grande. O movimento, aprovado em assembleia da categoria, atingiu escolas e Centros de Educação Infantil Municipal (EMEIs) da Capital e reacendeu o debate sobre reajuste salarial, valorização do magistério e os impactos da suspensão das atividades na rotina de milhares de famílias.
A suspensão das atividades em pleno dia letivo provocou reflexos na rotina de milhares de famílias. Pais e responsáveis relataram dificuldades para reorganizar compromissos e o cuidado com os estudantes durante a interrupção das aulas.
Atualmente, a REME conta com cerca de 8,9 mil professores e está entre as maiores redes públicas de ensino de Mato Grosso do Sul. Nos últimos anos, a Prefeitura promoveu a convocação de mais de mil professores concursados, além de investimentos em reformas, climatização e ampliação de unidades escolares.
Em 2025, a categoria recebeu reajuste salarial de 6,27% e manteve o cronograma de implementação gradual do piso nacional do magistério. Para 2026, entretanto, a administração municipal informou que qualquer novo reajuste dependerá de estudos sobre o impacto financeiro das alterações promovidas pelo Governo Federal no cálculo do piso da categoria.
Dados divulgados pelo portal PEBSP apontam que Campo Grande possui atualmente o maior vencimento-base para professores municipais entre todas as capitais brasileiras. Segundo o levantamento, a remuneração inicial paga pela rede municipal supera o piso nacional do magistério.
A paralisação também ocorreu em meio às movimentações do cenário político pré-eleitoral. A presença de lideranças e pré-candidatos durante o ato gerou debates sobre a influência política nas manifestações. Apesar disso, os professores afirmam que o objetivo principal do movimento é pressionar pelo avanço das negociações salariais e pela valorização da carreira.
