Oito meses após uma megaoperação da Polícia Federal que desarticulou um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em postos de combustíveis, os impactos ainda repercutem em Mato Grosso do Sul. A ação, que teve como um dos focos a cidade de Iguatemi, deixou um rombo milionário e pode ganhar novos desdobramentos com a possível delação do empresário Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master.
Nos últimos dias, avançaram as tratativas de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). As negociações envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis conexões entre a instituição financeira e atividades do crime organizado.
Durante as investigações realizadas no Estado, distribuidoras de combustíveis — algumas com sede em Campo Grande — tiveram inscrições estaduais canceladas e foram multadas em valores considerados elevados. Segundo o presidente do sindicato do setor, Edson Lazarotto, a atuação da Polícia Federal foi pontual, com foco inicial em Iguatemi, onde já havia indícios de irregularidades.
As apurações indicaram que o grupo criminoso emitia notas fiscais fora de Mato Grosso do Sul, evitando o recolhimento de impostos estaduais. Também foram identificados indícios de adulteração de combustíveis em postos supostamente controlados pela organização.
Na esfera estadual, a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo (Decon) realizou fiscalizações voltadas principalmente à qualidade dos combustíveis. À época, sob coordenação do delegado Reginaldo Salomão, foram constatados casos de fraude em medidores, mas não houve aprofundamento em investigações sobre lavagem de dinheiro, que acabaram sendo encaminhadas ao Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco).
A operação da Polícia Federal cumpriu seis dos 14 mandados de prisão preventiva decretados, com alvos também em Dourados. Em âmbito nacional, foram executados mandados de busca e apreensão contra cerca de 350 alvos em diversos estados.
Segundo dados da investigação, aproximadamente mil postos de combustíveis ligados ao PCC movimentaram cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, evidenciando a dimensão do esquema.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reforçou que mantém fiscalização permanente no setor e que denúncias podem ser feitas por canais oficiais, sendo analisadas com base em informações de inteligência e relatos de consumidores.

