A senadora Soraya Thronicke (Podemos) voltou a direcionar críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. Em publicação feita no X neste sábado (21), a parlamentar ironizou os problemas de saúde enfrentados pelo ex-chefe do Executivo, que está preso em Brasília e relatou crises de soluços.
“Perguntar não ofende, gente… mas é que eu tive uma crise de soluço ontem e fiquei muito preocupada… alguém já morreu de soluço? Soluço mata? Ai, meu Deus, estou com muito medo!”, escreveu.
A mensagem provocou reação imediata entre os seguidores. Um usuário identificado como Dr. Flu, que se apresenta como médico e torcedor do Fluminense, criticou a postura da senadora. Segundo ele, não é adequado que uma parlamentar “brinque com a doença de uma pessoa, muito menos de um ex-presidente”.
Na sequência, acrescentou que, embora soluços não levem à morte, o caso de Bolsonaro envolveria obstrução intestinal decorrente de cirurgias realizadas após o atentado a faca sofrido durante a campanha de 2018. “Obstrução intestinal mata. Acho que a senhora não deveria brincar com essa doença”, afirmou.
Outro seguidor, identificado como Célio Campos, de Rondônia, declarou que Soraya teria sido eleita com apoio do então candidato à Presidência em 2018. “Pode se candidatar para vereadora que você não ganha. Pare e pense: você sabe o que é certo e o que é errado”, escreveu.
A carioca Clarice da Silva também criticou o comentário. “Tripudiar, debochar de pessoas com problemas. Sua conta vai chegar e vai ser muito cara”, publicou.
Até o fechamento desta matéria, havia cerca de 300 manifestações críticas à postagem.
Eleição e trajetória
Soraya foi eleita senadora em 2018, em meio ao cenário político que impulsionou candidaturas alinhadas a Bolsonaro. Ela conquistou uma das duas vagas ao Senado por Mato Grosso do Sul, em disputa que surpreendeu analistas e adversários, entre eles o então senador Waldemir Moka (MDB).
Nos últimos anos, a parlamentar ganhou projeção nacional ao atuar em comissões parlamentares de inquérito. Foi relatora da chamada CPI das Bets e integra a CPMI do INSS, colegiados nos quais sua atuação gerou embates com opositores.
Na CPI das Bets, Soraya precisou prestar esclarecimentos sobre sua relação com o lobista Silvio Assis, acusado de solicitar R$ 40 milhões a empresas do setor para evitar convocações. Já na CPMI do INSS, a senadora atuou em votações que barraram convocações de investigados ligados ao governo federal, incluindo familiares do presidente.
Cenário eleitoral
Pesquisas recentes em Mato Grosso do Sul indicam que Soraya aparece entre os nomes menos citados como pré-candidatos ao Senado. À frente dela figuram o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), o ex-deputado Capitão Contar (PL), o senador Nelsinho Trad (PSD) e a ministra Simone Tebet (MDB). Também aparece atrás do deputado federal Vander Loubet (PT).
Sem espaço consolidado no campo da direita, a senadora é apontada como possível reforço ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin. Nesse cenário, poderia compor aliança ao Senado e apoiar uma eventual candidatura ao governo estadual em 2026.

