Um mês depois de receber uma dose experimental de polilaminina, o sul-mato-grossense Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, tem apresentado evolução na recuperação dos movimentos. Tetraplégico após ser atingido por um tiro acidental no pescoço, ele passou pelo procedimento em 20 de janeiro, por decisão judicial.
A substância aplicada ainda está em fase de estudos e é considerada promissora para a regeneração da medula espinhal em casos de lesões graves, como a do jovem. Desde então, a mãe dele, Viviane Goreti Ponciano dos Santos, tem compartilhado vídeos que mostram pequenas conquistas na rotina do filho.
Nas imagens divulgadas nas redes sociais, Luiz aparece cortando e comendo bolo com colher, espetando frutas com garfo, segurando um copo para beber água com canudo e até escrevendo o próprio nome em uma pequena lousa.
Antes de receber o medicamento, ele já havia recuperado parcialmente os movimentos dos braços e das mãos, mas ainda não conseguia segurar objetos ou realizar movimentos mais delicados com o dedo indicador. Até o momento, a família e a equipe médica não informaram avanços relacionados às pernas e aos pés. O jovem segue acamado, em casa.
Sete dias após a cirurgia, Luiz relatou ter percebido os primeiros sinais de melhora em uma das coxas. Segundo ele, mesmo sem sensibilidade, conseguiu executar um movimento ao concentrar esforço mental. Espasmos na região também foram notados. O médico Wolnei Zeviani, que participou do procedimento e acompanha o caso, confirmou que houve alteração no padrão de contração muscular, embora ainda não haja movimento funcional. A orientação, segundo ele, é aguardar a evolução natural do quadro.
Natural de Fátima do Sul e atualmente morando em Campo Grande, Luiz deverá passar por nova avaliação médica na próxima semana, quando serão analisados os resultados do primeiro mês após a cirurgia.
O que é a polilaminina
A polilaminina é formada pela combinação de “poli” (muitos, em grego) com laminina, proteína presente nas células-tronco e em diversos tecidos do corpo humano. A substância foi descoberta a partir de pesquisas iniciadas há cerca de 25 anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob coordenação da professora Tatiana Sampaio.
Em parceria com a universidade, o laboratório Cristália solicitou o registro do medicamento junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e o processo segue em tramitação. Nesta etapa dos estudos, a polilaminina será testada em cinco voluntários com idades entre 18 e 72 anos.
Como o medicamento ainda não possui liberação oficial, a aplicação depende de autorização judicial. A indicação é que a dose seja administrada até 72 horas após a lesão. No caso de Luiz, o disparo acidental ocorreu em 4 de outubro do ano passado, o que representa intervalo superior a quatro meses até a aplicação.
Durante o procedimento, realizado no Hospital Militar de Campo Grande, a equipe médica responsável pelo tratamento avaliou que ainda havia possibilidade de resposta positiva, já que a lesão permanecia em fase aguda.
Antes da cirurgia experimental, o jovem passou por outros procedimentos e já realizava sessões de fisioterapia. A expectativa é que a polilaminina contribua para acelerar a recuperação e ampliar a retomada de movimentos nos membros.
