Funcionários de uma agência do Sicredi, em Campo Grande, foram vítimas de um golpe telefônico em setembro do ano passado. O prejuízo à cooperativa na Capital de Mato Grosso do Sul chegou a R$ 665 mil. O caso é investigado pela Polícia Civil.
O estelionatário ligou para a unidade, situada no Bairro Nova Lima, no dia 3 de setembro de 2025, por volta do meio-dia, e se apresentou como integrante da equipe de suporte de tecnologia da informação do Centro Administrativo Sicredi (CAS). A ligação foi inicialmente atendida por uma estagiária, que transferiu o contato ao funcionário responsável pelo caixa.
Ao se identificar como membro do suporte técnico, o criminoso afirmou que precisava configurar o terminal para habilitar um novo procedimento de autorização de depósitos em dinheiro. Convencido pela narrativa, o funcionário iniciou testes que, supostamente, simulavam depósitos.
De acordo com o boletim de ocorrência que originou o inquérito, o golpista orientou a realização de depósitos utilizando dados bancários fornecidos por ele, como agência, conta, nome do titular e valores. A cada operação de R$ 10 mil — quantia que poderia ser movimentada sem autorização do gestor — o caixa era instruído a reiniciar o terminal.
As operações se sucederam e, em determinado momento, o criminoso soube que o tesoureiro não estava na agência. Ele então afirmou que, diante da ausência do responsável, o próprio caixa poderia autorizar valores superiores a R$ 10 mil. A ligação se estendeu por quase duas horas, e o estelionatário chegou a telefonar diretamente para o celular do funcionário.
Mesmo após a troca de posto, quando outra funcionária assumiu o atendimento, as operações continuaram. Foram efetuadas diversas transações, incluindo uma de R$ 70 mil. Ao todo, 16 contas-correntes diferentes receberam os valores desviados.
O golpe só foi interrompido quando a funcionária estranhou os montantes e questionou a identidade do suposto técnico. Sem conseguir apresentar justificativas convincentes, o homem encerrou o contato.
Segundo o registro policial, o número utilizado pelo criminoso tinha DDD 46, da região sudoeste do Paraná. O dinheiro foi pulverizado em outras contas bancárias, o que dificulta o rastreamento.
Outro caso na Capital
No ano passado, outra cooperativa ligada ao Sicredi também foi alvo de golpistas em Campo Grande. Na ocasião, o prejuízo foi de R$ 220 mil.
Conforme a investigação, criminosos teriam clonado o celular de um diretor da cooperativa e, passando-se por ele, entraram em contato com funcionários para solicitar transferências. A abordagem começou por mensagens enviadas a um assessor de recuperação de crédito, que indicou o setor responsável pelos pagamentos.
A funcionária encarregada das operações recebeu pedidos para três transferências a contas no Banco Will, totalizando R$ 220 mil. Acreditando tratar-se de uma determinação legítima da diretoria, ela realizou os repasses. Posteriormente, surgiram dúvidas sobre a autenticidade do número utilizado.
Os valores também foram rapidamente pulverizados em outras contas, dificultando a recuperação. A funcionária acabou demitida após o episódio. A Polícia Civil reúne depoimentos, comprovantes e registros de conversas na tentativa de identificar os autores do golpe.

