Denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal revela que dois empreendimentos de luxo na região de fronteira eram utilizados como fachada para a lavagem de dinheiro do tráfico de cocaína. Os edifícios ficam em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, segundo a acusação que deriva da Operação Balcãs, deflagrada em novembro do ano passado.
A investigação levou à prisão do empresário Jovenil Vieira Rodrigues, de 57 anos, em Dourados, e à denúncia de um grupo de dez pessoas por tráfico internacional de drogas. Entre os apontados como centrais no esquema estão o brasileiro Alexandre Rodrigues Gomes — detido há um ano e meio no Paraguai — e o empresário Thiago Alessandro de Oliveira Davalos Brites, dono de uma construtora em Dourados.
Alexandre Gomes é filho do ex-deputado paraguaio Eulalio “Lalo” Gomes, morto pela polícia do país vizinho durante operação em sua residência, em Pedro Juan Caballero, em agosto de 2024. Natural de Ponta Porã, Lalo tinha forte influência política e acumulava denúncias por suposta ligação com o crime organizado na fronteira.
De acordo com a denúncia, Alexandre e Thiago Brites integravam a estrutura que adquiria cocaína na Bolívia e no Paraguai, promovendo a entrada da droga no Brasil por Mato Grosso do Sul. O entorpecente seguia posteriormente para a Europa, enquanto o setor imobiliário fronteiriço era usado para mascarar a origem dos recursos.
O MPF aponta Brites como principal investidor do Edifício Ervais, em Ponta Porã, ainda com unidades à venda. Relatórios indicam que ele tinha papel estratégico na logística, controlando o estoque vindo da Bolívia e coordenando pagamentos em dinheiro. Alexandre Gomes, por sua vez, aparece como sócio do Tetryz Palace, empreendimento de alto padrão em Pedro Juan Caballero.
As apurações mostram ainda que Brites comprou um apartamento no Tetryz Palace diretamente de Alexandre, usando Jovenil Vieira como intermediário para ocultar a titularidade do imóvel. Jovenil seria o responsável por coordenar o fluxo financeiro da organização.
Segundo a denúncia, o grupo mantinha pistas clandestinas na Bolívia e no Paraguai e chegou a destruir aeronaves acidentadas para eliminar provas, retomando voos em poucos dias. Para os investigadores, a influência política e o uso de “laranjas” na construção civil foram decisivos para sustentar as operações criminosas entre o Brasil e o país vizinho.
