Campo Grande (MS) — Uma câmera de vigilância instalada dentro do banheiro feminino da Escola Estadual José Maria Hugo Rodrigues, no bairro Mata do Jacinto, foi apreendida pela Polícia Militar na noite da última quarta-feira (11). O equipamento estava direcionado às cabines usadas pelas alunas, segundo boletim de ocorrência da corporação.
A apreensão ocorreu após uma denúncia feita por uma mãe, que informou ao 9º Batalhão da Polícia Militar que sua filha havia identificado o equipamento no interior do banheiro. A jovem relatou que a câmera ficava voltada para os boxes, gerando constrangimento entre as estudantes — algumas chegavam a mudar a posição do aparelho, mas ele retornava ao ângulo original.
Os policiais encontraram o dispositivo e um gravador no local e, após preservarem as evidências, acionaram a perícia técnica, que compareceu à escola. Ambos os equipamentos foram encaminhados à delegacia para perícia e investigação.
Versão da direção e tramitação do caso
A direção da escola afirmou à Polícia Militar que a câmera havia sido instalada em 2016 e que estava inoperante devido a um curto-circuito há cerca de seis anos, o que impossibilitaria confirmar se imagens foram gravadas. A corporação, no entanto, ainda não dispõe de meios técnicos para verificar se o equipamento chegou a registrar imagens antes de parar de funcionar.
Não foi efetuado flagrante no momento da apreensão. A autoridade policial determinou a instauração de um inquérito para apurar quem instalou o equipamento e com qual finalidade, além de outras circunstâncias que envolvam o caso.
Rede de proteção e encaminhamentos legais
O Conselho Tutelar acompanhou a ocorrência desde o início e informou que irá elaborar um relatório sobre o episódio, além de comunicar o Ministério Público para possíveis providências jurídicas.
Repercussão entre alunos e comunidade
Estudantes da escola e familiares reagiram ao caso com surpresa e preocupação, reforçando o desconforto causado pelo episódio no ambiente escolar. A direção disse que colabora integralmente com as autoridades e que medidas internas de transparência estão em consideração, à medida que a investigação evoluir.
Contexto mais amplo
Casos de câmeras clandestinas em ambientes que violam a privacidade, especialmente onde há presença de menores de idade, têm chamado a atenção das autoridades e da sociedade. A legislação brasileira é rígida quanto à proteção da intimidade e imagem, e a instalação de dispositivos em banheiros é considerada uma grave violação de direitos — passível de investigação criminal. (contexto geral)
