Engenheiros investigados na Operação Abalo Sísmico, deflagrada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), são suspeitos de superfaturar contratos para aplicar um golpe contra uma construtora de alto padrão em Campo Grande. A ação policial cumpriu mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (3) na Capital e em municípios do Estado de São Paulo, tendo como alvos engenheiros, empresários, um almoxarife e um prestador de serviços.
As investigações apontaram a existência de um esquema criminoso envolvendo engenheiros de uma grande incorporadora imobiliária, responsáveis por obras de edifícios de luxo, além de um almoxarife e empresas contratadas para serviços de transporte, perfuração de solo e instalação de fundações.
De acordo com o delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, a apuração teve início após a constatação de furtos de materiais em uma obra de alto padrão. No entanto, ao aprofundar as diligências, a polícia identificou que o principal prejuízo não estava nos furtos, mas na manipulação de dados técnicos para inflar valores contratuais acima do que seria compatível com os estudos de solo e fundação.
“A investigação começou após o registro de furtos de materiais em uma construção de luxo no bairro Jardim dos Estados. Com o avanço das apurações, foi possível constatar que o maior dano financeiro era causado pelo superfaturamento dos contratos de engenharia”, explicou o delegado.
O prejuízo estimado à incorporadora ultrapassa R$ 5 milhões apenas em uma obra, mas os investigados mantinham contratos com outras construtoras, o que levanta a suspeita de que o esquema possa ter sido aplicado em outros empreendimentos.
A Polícia Civil ainda apura a possível participação de outras pessoas de forma secundária. Entre os crimes investigados estão furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Com base nas provas reunidas, a especializada solicitou medidas cautelares à Justiça, que foram autorizadas. Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam dinheiro em espécie, arma de fogo, munições e aparelhos telefônicos.
Em Campo Grande, sete mandados foram cumpridos em residências e empresas. Em um dos endereços, os agentes localizaram cerca de R$ 700 mil em dinheiro, celulares, uma arma de calibre .22 sem registro e munições. O responsável pelo imóvel, um empreiteiro, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido.
Foi arbitrada fiança de R$ 5 mil ao investigado, que deverá ser liberado após o pagamento. Além dele, outros cinco suspeitos, com idades entre 34 e 67 anos, também são investigados. Todos estão proibidos de manter contato entre si e de deixar a cidade sem autorização judicial.
A operação também cumpriu mandados nos municípios de Votorantim, Campinas e São Paulo, com apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE) de Sorocaba.
Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência à atuação dos investigados nas fundações das edificações, em áreas subterrâneas, e ao objetivo de expor irregularidades ocultas que resultaram em prejuízo milionário à incorporadora. As investigações seguem em andamento.
