Apontado como principal alvo da Operação Castelo de Cartas, deflagrada nesta quarta-feira (28) pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São José do Rio Preto (SP), Camillo Gandi Zahran Georges, de 36 anos, é acusado de aplicar um golpe estimado em R$ 5 milhões contra um casal de Campo Grande (MS) com quem mantinha relação de amizade.
Camillo e outros quatro investigados foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pelos crimes de associação criminosa e estelionato. A denúncia foi oferecida em dezembro do ano passado, após investigação iniciada a partir de relatos das vítimas à polícia, em agosto de 2024, e conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações (Dedfaz).
Segundo o Ministério Público, a aproximação ocorreu por meio de um personal trainer que atendia Camillo e acabou se tornando amigo do investigado. Outro denunciado, João Augusto de Almeida de Mendonça, também se aproximou do casal, assim como as respectivas esposas.
Com a confiança estabelecida, Camillo passou a apresentar supostas oportunidades de investimento, prometendo altos rendimentos, prática semelhante à apurada na operação policial deflagrada nesta semana.
Na denúncia assinada pela promotora de Justiça Suzi D’Angelo, da 10ª Promotoria, consta que Camillo teria se valido da relação de amizade e do prestígio do sobrenome Zahran para conferir credibilidade a negócios inexistentes ou fraudulentos, sempre com promessa de lucro rápido.
O golpe, conforme o MP, envolveu três frentes principais: uma falsa operação de exportação de ouro, que prometia rendimento mensal de 3,75% e devolução do capital em curto prazo; a suposta representação da marca de cachaça Pitú; e a abertura de um supermercado da rede “Na Boa”, empreendimento que nunca foi concretizado.
As aplicações financeiras teriam começado em abril de 2023. As vítimas realizaram transferências para contas pessoais de João Augusto, apresentado como braço direito de Camillo, e para empresas vinculadas a outros denunciados, como a FDR Cobranças, em nome de Adriano Piovezan Soares, e a Clean Energy Global Ltda., ligada a Vagner da Costa Filho.
Ainda de acordo com a denúncia, os rendimentos prometidos não foram pagos e o capital investido não foi devolvido. Ao serem cobrados, os acusados teriam alegado prejuízo em operações de garimpo. Mesmo após a assinatura de termos de confissão de dívida, os valores não foram restituídos.
Além de Camillo Gandi Zahran Georges e João Augusto de Almeida de Mendonça, também foram denunciados Everton Daniel da Costa Ferraz, Adriano Piovezan Soares e Vagner da Costa Filho. Para o MP, o grupo atuava de forma organizada, com divisão clara de funções para captar vítimas, movimentar recursos e ocultar os valores obtidos.
A denúncia, já recebida pela Justiça em dezembro de 2025, pede a condenação dos réus e a fixação de indenização mínima de R$ 5 milhões às vítimas.
Operação Castelo de Cartas
A segunda fase da Operação Castelo de Cartas cumpriu mandados em Campo Grande e outras cidades, com foco em uma quadrilha especializada em fraudes financeiras. Contra Camillo há mandado de prisão em aberto, e ele é considerado foragido.
Durante a ação, policiais também estiveram na residência de Gabriel Gandi Zahran Georges, de 38 anos, irmão de Camillo, que foi conduzido à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Cepol, onde prestou depoimento por cerca de três horas e foi liberado. Ambos são herdeiros do Grupo Zahran, filhos do ex-deputado Gandi Jamil e netos de Ueze Zahran.
Nas buscas, a Deic apreendeu R$ 1,5 milhão em notas promissórias, R$ 250 mil em dinheiro, além de 10 carros de luxo, relógios das marcas Rolex e Cartier, joias, celulares de última geração, cartões bancários, máquinas de cartão e diversos documentos.
Defesa
Procurado, o advogado Márcio de Ávila Martins Filho, que representa os irmãos, informou que o caso tramita sob sigilo e não comentou o mérito. Em nota, o Grupo Zahran afirmou que as pessoas citadas não possuem vínculo com suas empresas.
“Ainda que sejam membros da família, não exercem funções administrativas, não participam da gestão e não prestam serviços às empresas do grupo, que operam de forma independente, com governança própria e em conformidade com a legislação”, diz o comunicado.
