Um aposentado de 56 anos, morador de Dourados, permanece internado há 36 dias em Campo Grande à espera da substituição da bateria de um marca-passo, procedimento essencial para a manutenção de sua vida. A situação não é isolada e atinge outros pacientes que dependem de dispositivos cardíacos implantáveis.
Nilson Batista Costa sofre de doença cardíaca grave, com risco iminente de infarto agudo do miocárdio e morte súbita, o que torna indispensável o uso contínuo do equipamento. Ele utiliza um Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI), que também exerce a função de marca-passo, e não pode receber alta médica sem a troca da bateria, sob risco fatal.
Inicialmente, Nilson ficou internado no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), que não dispõe do dispositivo necessário. Por determinação judicial, foi transferido para a Santa Casa, hospital de referência em procedimentos cardiovasculares pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa era de que o problema fosse resolvido rapidamente, o que não ocorreu.
Crise financeira
A Santa Casa enfrenta dificuldades financeiras e, desde o ano passado, não mantém em estoque baterias ou outros dispositivos cardioimplantáveis, tampouco dispõe de recursos imediatos para aquisição. Com isso, Nilson, que deu entrada no Humap em 23 de dezembro, completou nesta terça-feira (27) 36 dias de internação, agora na Santa Casa, sem previsão de solução.
Ele seguirá internado até que haja uma definição judicial, já que a alta hospitalar sem o funcionamento adequado do marca-passo representa risco concreto de morte.
A esposa do paciente, Marineusi Pereira Mendes, acompanha o marido durante todo o período. Embora tenha compromissos em Dourados, ela afirma não poder retornar diante da indefinição do caso. “Desde agosto tentávamos uma vaga na Santa Casa, pois em Dourados não existe hospital que realize esse procedimento. A internação de emergência aconteceu depois que ele começou a sentir tonturas e vertigens”, relatou.
Mesmo em situação de superlotação e escassez de recursos, o hospital é obrigado a manter o paciente internado, o que gera custos contínuos com diárias e ocupação de leito. Documentos da regulação hospitalar indicam que, desde 1º de agosto do ano passado, a Santa Casa vem negando vagas para procedimentos desse tipo por não possuir dispositivos como marca-passo convencional, CDI ou ressincronizador cardíaco, alegando falta de estoque e de capacidade técnica para novos atendimentos.
Posicionamentos oficiais
Em nota, a instituição informou que a dificuldade decorre de um desequilíbrio econômico-financeiro que compromete a aquisição de marca-passos. Apesar disso, afirma que tem buscado comprar os aparelhos conforme a liberação de recursos e ressalta que os pacientes internados são casos graves, que não podem receber alta por questões de segurança.
A Secretaria Municipal de Saúde também se manifestou, esclarecendo que sua atuação se limita à contratualização e fiscalização dos serviços prestados, não sendo responsável pela gestão interna, administração de recursos, organização do atendimento ou outras questões operacionais do hospital.
