O ataque que deixou um paciente recém-submetido a transplante de córnea cego de um dos olhos não foi um episódio isolado — nem imprevisível. O histórico criminal de Leandro Vianna da Silva, de 26 anos, revela uma trajetória contínua de violência, registrada oficialmente desde 2017, incluindo caso de violência doméstica.
A partir de 2018, Leandro passou a ser preso e solto sucessivas vezes, respondendo por crimes como roubos, furtos e agressões. Em 2020, chegou a ser condenado pela Justiça, mas fugiu do sistema prisional poucos dias após a sentença. Foi recapturado semanas depois e encaminhado a uma unidade de segurança máxima. Ainda assim, voltou a circular livremente.
Em dezembro de 2025, voltou a atacar na região do Carandá Bosque. Em um dos episódios, arremessou uma pedra contra uma vítima; em outro, desferiu uma facada, conforme registros policiais.
A agressão registrada na última segunda-feira (26) ocorreu quando a vítima — um faxineiro da Rede Municipal de Ensino — aguardava atendimento médico e lutava para recuperar a visão após um transplante de córnea. O ataque se soma a uma sequência de episódios violentos atribuídos ao mesmo autor, que, mesmo com condenação, fuga do sistema prisional e novas agressões, continuava solto nas ruas de Campo Grande.
Segundo a Polícia Civil, a violência não cessou após o crime que resultou na cegueira. Horas depois de atacar o paciente em frente ao Instituto da Visão, Leandro voltou a agredir outra pessoa na mesma região. Por volta das 15h, guardas civis que participavam das buscas flagraram o agressor desferindo um soco no rosto de um pedestre. A vítima sofreu ferimentos na boca e precisou de atendimento médico.
Funcionários do Instituto relataram que o agressor é conhecido na região pelo comportamento agressivo e por abordar pessoas de forma violenta. A percepção é confirmada por registros oficiais: consultas aos sistemas policiais apontam ao menos sete episódios anteriores de agressões semelhantes, sempre cometidas contra pessoas desconhecidas e em via pública.
Não há laudo anexado que comprove eventual transtorno psiquiátrico, mas Leandro declarou ser usuário de drogas, outro fator que, segundo autoridades, evidencia a ausência de controle efetivo sobre situações de risco nas ruas da Capital.
Ataque
Pouco mais de um mês antes da agressão, a vítima havia passado por um transplante de córnea, procedimento delicado e considerado, em muitos casos, a última chance de recuperação da visão. Na manhã de segunda-feira (26), chegou cerca de uma hora antes do horário marcado para a consulta de acompanhamento pós-operatório e aguardava a abertura da clínica.
Foi nesse momento que foi surpreendido.
De acordo com o boletim de ocorrência, o agressor desferiu um soco diretamente no olho esquerdo, atingindo exatamente a região recém-operada. O impacto rompeu os pontos da cirurgia e provocou o extravasamento do globo ocular.
O laudo médico é categórico: a agressão causou perda permanente da visão recuperada com o transplante. O paciente deverá passar por novas cirurgias e, segundo avaliação médica, é improvável que volte a enxergar pelo olho atingido. Também foi constatada incapacidade para as atividades habituais por período superior a 30 dias.
No despacho que fundamenta a prisão, a autoridade policial afirma que a permanência do agressor em liberdade, apesar do histórico conhecido e das agressões recentes, “provavelmente custou a visão de um olho de uma vítima completamente inocente”. O documento ressalta ainda que mantê-lo solto representava risco concreto e imediato de novas agressões.
