A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul instaurou inquérito para apurar um esquema de fraudes que teria causado prejuízo milionário a pecuaristas do Estado. As investigações apontam para a prática de golpes envolvendo a compra de gado com cheques sem fundo, confissões de dívida não quitadas, recebimento de valores antecipados por animais que não foram entregues, além de inadimplência em confinamentos e parcerias do tipo “boitel”.
O principal investigado é Guilherme da Silva Pereira, de 33 anos, que se apresentava como pecuarista para adquirir animais em leilões, firmar contratos de confinamento e fechar negociações no mercado bovino. Após receber os animais ou valores adiantados, ele teria deixado de cumprir os pagamentos e, atualmente, não é localizado pela Justiça para responder às ações movidas pelas vítimas.
De acordo com informações preliminares reunidas no inquérito da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários (Dedfaz), o prejuízo total ultrapassa R$ 8 milhões. O delegado Carlos Eduardo Trevelin Millan afirma que a maioria dos fatos ocorreu entre janeiro e maio de 2025, período em que teriam sido realizadas diversas negociações fraudulentas no mercado de gado bovino, atingindo produtores rurais em diferentes regiões do Estado. Os crimes investigados incluem estelionato, ocultação de bens e lavagem de dinheiro.
Além das dívidas com pecuaristas e empresas de confinamento, o investigado também acumula débitos junto a instituições financeiras, principalmente cooperativas de crédito. Há cobranças que somam cerca de R$ 500 mil referentes a empréstimos não quitados, além de dívidas de cartões de crédito e outros valores menores em aberto.
O modo de atuação atribuído a Guilherme era baseado na chamada alavancagem: ele realizava grandes compras de animais e tentava quitar compromissos com recursos obtidos em revendas dos mesmos lotes. Enquanto isso, mantinha o gado em confinamentos e boitéis, onde também deixava dívidas acumuladas.
Nos processos judiciais, constam diferentes endereços associados ao investigado, em Campo Grande e Aquidauana. Apesar das tentativas, oficiais de Justiça não conseguiram localizá-lo. Em mais de uma dezena de ações, não houve apreensão de bens como veículos, propriedades rurais ou valores relevantes em contas bancárias.
Entre os casos detalhados no inquérito, está o de um pecuarista que vendeu 300 animais por R$ 866,5 mil, pagos com cheque sem fundos. Após o vendedor ser orientado a não apresentar o cheque, a dívida foi renegociada em R$ 896 mil, parcelada em seis vezes, mas nenhuma parcela foi quitada. A partir desse episódio, a vítima identificou uma prática recorrente de negociações fraudulentas atribuídas ao investigado.
As apurações também apontam prejuízos que variam de dezenas de milhares a mais de R$ 1,5 milhão por vítima, envolvendo cheques sem fundos, adiantamentos por gado não entregue, contratos de boitel inadimplentes e parcerias pecuárias não honradas. Empresas de confinamento e produtores rurais de diferentes regiões do Estado constam entre os prejudicados. A Polícia Civil segue reunindo documentos, depoimentos e informações financeiras para dimensionar o alcance do esquema e identificar possíveis outros envolvidos ou novas vítimas.
