Alvo de duas operações deflagradas nesta semana pelo Gaeco, que apuram supostas fraudes em contratos com a Prefeitura e a Câmara Municipal de Terenos, o grupo de comunicação Impacto Mais está em processo de negociação para venda ao Ecossistema Dakila, controlado pelo empresário Urandir Fernandes de Oliveira.
As operações, batizadas de Collusion e Simulatum, investigam irregularidades cometidas em 2021 em contratos de publicidade e serviços gráficos. Entre os pagamentos apurados, consta o repasse de R$ 128 mil feito pela Câmara de Vereadores ao grupo Impacto Mais.
Conhecido nacionalmente por se apresentar como o “pai do ET Bilu” e por defender a teoria da Terra Convexa, Urandir passou a atacar veículos de comunicação após a divulgação de reportagens que apontaram ligações entre o Ecossistema Dakila e o grupo Impacto Mais, um dos alvos das investigações.
Entre os seis presos nas ações do Gaeco estão Francisco Elivaldo de Souza, conhecido como Eli Sousa, proprietário do Impacto Mais, e Eudmar Rogers Nolasco de Faria, apontado como diretor financeiro. Ambos aparecem relacionados, direta ou indiretamente, a estruturas vinculadas ao Dakila Comunicação.
Apesar de afirmar publicamente que as notícias seriam falsas e de negar envolvimento com o inquérito, Urandir solicitou acesso formal à investigação conduzida pelo Ministério Público. Para isso, contratou o advogado criminalista Thiago Bunning, que atua em casos ligados a crimes contra a administração pública. O pedido foi protocolado no mesmo dia em que o Gaeco cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão. Questionados, nem o advogado nem a assessoria jurídica do Dakila se manifestaram.
Aquisição do grupo Impacto
Embora Urandir negue a compra do grupo Impacto, documentos e comunicações oficiais indicam o contrário. O processo de aquisição teria começado em dezembro de 2024, quando foi criado o CNPJ da empresa Dakila Impacto Comunicação Ltda., com capital social de R$ 700 mil e Urandir como único sócio.
Inicialmente, a assessoria jurídica do Dakila informou que a negociação envolvia apenas a compra de um imóvel pertencente ao grupo Impacto. Posteriormente, após a apresentação de novos documentos, a versão foi revista, passando a admitir tratativas para aquisição de ativos de comunicação, como marca, equipamentos e estrutura de rádio, ainda em fase de auditoria e due diligence.
Apesar disso, indícios apontam que Urandir já exercia influência direta sobre os negócios. Desde o início de 2025, seu nome e o CNPJ da Dakila Comunicação passaram a constar no expediente da revista Impacto, onde ele aparece como presidente.
Contradições sobre cargos e vínculos
Mesmo sustentando que Impacto Mais e Dakila Impacto seriam empresas distintas, publicações da própria revista indicam Eli Sousa e Eudmar Nolasco como diretores. Em uma das edições, a revista se apresenta oficialmente como publicação da Dakila Comunicação, trazendo Urandir como presidente, Eli Sousa como diretor-geral e Nolasco como diretor financeiro.
Em nota, o grupo Dakila nega que os dois investigados integrem seu quadro funcional ou exerçam funções de gestão. No entanto, documento apresentado por Nolasco à Justiça afirma que ele é funcionário da Dakila Comunicação, com vínculo registrado em carteira de trabalho e atuação no setor financeiro, recebendo salário mensal.
Ainda assim, o grupo sustenta que existe apenas uma relação comercial pontual com Eli Sousa, sem responsabilidade automática por eventuais ilícitos. A empresa afirma que Nolasco estaria vinculado à estrutura mantida por Eli, não ao comando do Dakila.
Questionada novamente sobre a edição da revista já sob controle da Dakila e sobre as declarações de Nolasco à Justiça, a assessoria jurídica não respondeu até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
Atuação em emissoras de rádio
Em publicação institucional, o próprio grupo Impacto informou que, em dezembro de 2024, uma rádio pertencente a Eli Sousa, a Diamante FM, em Corguinho, foi reinaugurada sob coordenação do Ecossistema Dakila. Segundo a nota, Eli teria direito a um horário específico na programação, sem participação administrativa ou poder de gestão.
Em comunicado final, o grupo Dakila afirmou repudiar práticas de corrupção e declarou manter gestão transparente, com liderança pública exercida por Urandir Fernandes de Oliveira.
Figura pública e polêmicas
Urandir ganhou projeção nacional ao relatar contatos com uma suposta entidade extraterrestre chamada Bilu, no complexo Zigurats, em Corguinho. O episódio ganhou repercussão em 2010, após a exibição de uma reportagem em rede nacional, que se tornou alvo de críticas, memes e análises técnicas que apontaram inconsistências na suposta aparição — ainda assim defendida por ele como verdadeira.
Além disso, Urandir é conhecido por defender a teoria da Terra Convexa e por participar da produção de um documentário, lançado em 2018, que contesta o modelo científico amplamente aceito sobre o formato do planeta.
