O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) manifestou preocupação com o desempenho de cursos de Medicina do Estado no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Duas instituições sul-mato-grossenses receberam conceito 2, considerado insuficiente, no resultado divulgado na segunda-feira (19) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
De acordo com os dados oficiais, 67% dos estudantes próximos da conclusão do curso demonstraram conhecimento considerado satisfatório. Ainda assim, o panorama nacional acendeu um sinal de alerta: 99 cursos de Medicina em todo o país obtiveram notas 1 ou 2, ficando abaixo de 60% no critério de proficiência, que mede o domínio dos conhecimentos básicos da área.
Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) indica que a maior parte dos cursos com desempenho insatisfatório pertence à rede privada. Em Mato Grosso do Sul, ficaram com conceito 2 os cursos da Anhanguera Uniderp, em Campo Grande, e da UniCesumar, em Corumbá.
Em nota, o CRM-MS afirmou que recebeu os resultados com apreensão, especialmente diante da classificação atribuída às instituições particulares. Segundo o Conselho, desempenhos baixos e recorrentes evidenciam a necessidade de revisão dos projetos pedagógicos, melhoria na qualificação do corpo docente e adequações na estrutura de ensino, com atenção especial às atividades práticas, consideradas fundamentais na formação médica.
O órgão também alertou para os riscos de uma formação deficiente, que pode resultar em falhas na atuação profissional, como erros de diagnóstico, condutas terapêuticas inadequadas e problemas éticos, comprometendo a segurança dos pacientes. Para o CRM-MS, a prática da medicina exige base técnica sólida, raciocínio clínico bem desenvolvido e compreensão ética consistente, sob pena de prejuízos diretos à população.
Instituições que não atingem desempenho satisfatório podem sofrer sanções do Ministério da Educação (MEC). Paralelamente, o Conselho Federal de Medicina estuda uma resolução que pode impedir cerca de 13 mil estudantes formados em cursos com notas 1 e 2 de exercerem a profissão.
Em posicionamento oficial, o CFM avaliou que os resultados do Enamed revelam um cenário preocupante da formação médica no Brasil. O Conselho reiterou críticas antigas à expansão desordenada de cursos de Medicina, muitas vezes autorizados sem infraestrutura adequada e sem condições reais para a prática do ensino.
Diante disso, o CFM voltou a defender a implementação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que exigiria a aprovação do estudante para a obtenção do registro profissional, nos moldes do que ocorre com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A medida, segundo o Conselho, busca assegurar que apenas profissionais devidamente capacitados atuem na área, ampliando a segurança da população brasileira.
