A Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) divulgou, na tarde de ontem (17), nota em aponta como autor do homicídio do indígena Vicente Fernandes, 36 anos, em área de conflito agrário, no município de Iguatemi (MS), teria sido o também indígena Valdecir Alonso Brites, que já foi preso pelo crime.
Ainda conforme a nota, após a detenção, ele foi imediatamente encaminhado à Polícia Federal (PF), órgão responsável pela investigação e demais procedimentos relacionados ao caso. No mesmo local do conflito, ou seja, na aldeia Pyelito Kue, localizada na Terra Indígena Iguatemipeguá I, resultou em outra morte.
Trata-se de Lucas Fernando da Silva, de 23 anos, que era funcionário de uma das fazendas da região e teve ruptura hepática e choque hemorrágico, sendo que ambas as mortes foram por armas de fogo.
Também foram registrados ferimentos em mais duas pessoas: Eliéber Riquelme Ramires, que, após atendimento inicial em Iguatemi, foi transferido para Dourados em razão da gravidade, onde permanece internado, e outro é um adolescente indígena, de 14 anos, ferido por tiro no braço e que deu entrada no hospital de Iguatemi, porém fugiu da unidade antes da conclusão do atendimento médico.
Por fim, a Sejusp informa que as forças estaduais de segurança atuaram exclusivamente em apoio à PF no atendimento à ocorrência registrada na Fazenda Cachoeira, no município de Iguatemi, na madrugada de domingo (16). Além disso, no momento do confronto nenhuma força estadual de segurança atuava na região.
No dia 3 de novembro, os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) instituíram um Grupo de Trabalho Técnico (GTT).
O foco é na elaboração de subsídios técnicos para a mediação de conflitos fundiários envolvendo os povos indígenas no sul do estado de Mato Grosso do Sul, incluindo a realização de levantamentos e estudos sobre áreas públicas e privadas.
O GTT realiza reuniões semanais para debater soluções concretas e promover a resolução definitiva dos conflitos, que têm os indígenas como principais vítimas.
“É inaceitável que indígenas continuem perdendo suas vidas por defender seus territórios. A morte de mais um indígena Guarani Kaiowá acontece ao mesmo tempo em que o mundo discute e visualiza a importância dos povos indígenas para a mitigação climática debatida na COP30, infelizmente evidenciando que não existe trégua na perseguição aos corpos dos defensores do clima”, diz o MPI em nota sobre o último episódio de violência.
De acordo com o MPI, as retomadas dos indígenas Guarani Kaiowá na região se intensificaram nos últimos meses com o objetivo de frear a pulverização de agrotóxicos, que vem causando adoecimento e gerando insegurança hídrica e alimentar.
