Divulgado às vésperas do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica aponta que a qualidade da água dos rios de Mato Grosso do Sul que integram o bioma segue estagnada e longe do ideal.
Os dados fazem parte do relatório “Observando os Rios 2026”, elaborado com base em análises realizadas entre janeiro e dezembro de 2025. No Estado, o monitoramento ocorreu em dez pontos da bacia do Rio Paraguai e revelou predominância de água com qualidade regular ao longo de todo o ano, sem melhora significativa.
Um dos poucos registros positivos foi no Rio Formoso, em Bonito, que apresentou qualidade boa apenas em janeiro. Nos meses seguintes, os índices voltaram a cair para a faixa considerada regular.
Situação semelhante foi observada em outros rios importantes. No Rio Aquidauana, em Aquidauana, os indicadores oscilaram entre regular e ruim. Já o Rio Miranda apresentou variações dentro da mesma faixa intermediária em diferentes pontos de monitoramento, assim como trechos analisados em Corumbá.
A classificação da qualidade da água varia de péssima a ótima, mas, no caso de Mato Grosso do Sul, os índices permaneceram majoritariamente na categoria regular — o que indica que a água pode ser utilizada, desde que passe por tratamento.
Em nível nacional, o cenário segue a mesma tendência. O levantamento mostra que quase 80% dos pontos monitorados apresentam qualidade regular, enquanto apenas uma pequena parcela foi considerada boa. Nenhum ponto atingiu nível ótimo, e houve aumento dos registros classificados como ruins em comparação ao ano anterior.
O estudo também destaca que problemas estruturais continuam impactando diretamente os rios, como a ausência de saneamento básico, o despejo de esgoto sem tratamento, o desmatamento de áreas de proteção, o uso de agrotóxicos e o crescimento urbano desordenado, além dos efeitos das mudanças climáticas.
Mesmo assim, a maior parte dos pontos ainda permite usos diversos da água, como abastecimento, irrigação e lazer, embora especialistas alertem para a fragilidade desse equilíbrio.
Inseridos na Mata Atlântica, esses rios fazem parte de um dos biomas mais importantes do país, responsável por abrigar grande parte da população brasileira. Atualmente, porém, restam apenas cerca de 24% de sua vegetação original, o que aumenta a vulnerabilidade dos recursos hídricos.
O relatório reforça que, apesar de não haver colapso, a situação é preocupante e exige ações urgentes, como investimentos em saneamento, recuperação de matas ciliares e melhor gestão das bacias hidrográficas.

