Uma reviravolta recente mudou o cenário interno do PSDB em Mato Grosso do Sul. O partido, que vinha enfrentando risco de esvaziamento com a possível saída em massa de filiados durante a janela partidária, ganhou fôlego após lideranças decidirem permanecer na sigla.
Depois do anúncio dos deputados federais Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende de que continuariam no partido, os deputados estaduais Jamilson Name e Lia Nogueira também confirmaram a permanência. O movimento reforça a estratégia de manter a legenda competitiva nas eleições deste ano.
O grupo aposta na formação de chapas fortes tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa, com o objetivo de garantir reeleições e ampliar as bancadas. No cenário federal, a meta é reconduzir Dagoberto e Geraldo, apesar da saída de Beto Pereira para o Republicanos.
Segundo interlocutores, a decisão de permanecer no PSDB ocorreu após reavaliação das negociações políticas. Com isso, os parlamentares passaram a concentrar esforços na montagem das chapas, que, no caso estadual, já estaria próxima de ser definida.
Na Assembleia Legislativa, a estratégia inclui a reeleição de Jamilson Name e Lia Nogueira, além da tentativa de eleger novos nomes. Name é apontado como peça-chave para impulsionar a chapa, contribuindo também para viabilizar candidaturas como a de Paulo Duarte, que deve migrar para o PSDB, e de vereadores da legenda.
Caso o plano se concretize, o partido poderá alcançar uma bancada de quatro deputados estaduais na próxima legislatura, número inferior ao atual, mas suficiente para manter relevância política no Estado.
Nos últimos anos, o PSDB perdeu força em Mato Grosso do Sul após a saída de importantes lideranças, incluindo o governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja, além de diversos prefeitos eleitos anteriormente pela sigla. A janela partidária deste ano era vista como momento decisivo para um possível desmonte ainda maior.
Apesar disso, a debandada foi menor do que o previsto, o que deu novo fôlego ao partido. Ainda assim, o desafio permanece: garantir desempenho eleitoral suficiente para cumprir a cláusula de barreira, exigência que condiciona o acesso a recursos públicos e ao tempo de propaganda eleitoral.
Para se manter viável no cenário nacional, o PSDB precisará atingir metas progressivas até 2030, como eleger ao menos 13 deputados federais ou alcançar um percentual mínimo de votos válidos. Como alternativa, a legislação permite a formação de federações partidárias ou até fusões entre siglas, estratégias que podem ser consideradas para assegurar a sobrevivência política da legenda.

