O deputado federal Vander Loubet (PT), presidente estadual do partido e pré-candidato ao Senado, e a senadora Soraya Thronicke (Podemos), que tenta a reeleição, avançaram nas articulações para formar uma chapa conjunta na disputa pelas duas vagas ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul. A definição ocorreu em reunião realizada nesta semana, em Brasília (DF), com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Segundo Vander, o encontro sinalizou um cenário favorável à aliança. Ele afirmou que Soraya demonstrou entusiasmo com a possibilidade de integrar uma frente ampla em construção no Estado. “A conversa foi muito positiva. A Soraya tem votado com o governo Lula em pautas relevantes para a população e dialogado com setores com os quais o PT e o presidente têm afinidade”, destacou.
O deputado explicou que ainda falta definir a sigla pela qual Soraya disputará a reeleição, já que a senadora avalia deixar o Podemos. As opções em análise são o PSB e o PDT, decisão que deve ser tomada até o fim da janela partidária. Vander acrescentou que Gleisi confirmou a intenção de agendar, ainda neste mês, uma nova reunião em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para referendar tanto a parceria ao Senado quanto a pré-candidatura de Fábio Trad ao governo estadual.
A movimentação ganhou força após o senador Nelsinho Trad (PSD) recusar o convite para formar uma chapa conjunta ao Senado. Diante disso, Vander decidiu intensificar o diálogo com Soraya, que se mostrou disposta a integrar o campo de alianças da esquerda em Mato Grosso do Sul.
De acordo com o deputado, a senadora foi informada de que o Podemos não garantiria apoio à sua reeleição caso mantivesse o alinhamento com o governo federal. Por esse motivo, ela passou a considerar a filiação a legendas que compõem o arco de alianças governista, como PDT ou PSB.
Questionado sobre a resistência de parte do eleitorado sul-mato-grossense ao nome de Soraya, Vander minimizou o impacto. Para ele, há espaço para duas candidaturas competitivas ao Senado no Estado. “São duas vagas. Ela tem votado com o governo Lula e não vejo problema em tê-la como nossa segunda candidata”, afirmou.
A rejeição à senadora aumentou após sua mudança de posicionamento político. Eleita em 2018 durante a chamada “onda bolsonarista”, Soraya rompeu com o ex-presidente Jair Bolsonaro nos anos seguintes. Em 2022, chegou a disputar a Presidência da República e, mais recentemente, passou a integrar a base de apoio do governo Lula no Congresso, assumindo publicamente uma posição mais alinhada à esquerda.
Vander ressaltou ainda que o Senado é tratado como prioridade estratégica pelo presidente Lula e seus aliados. A avaliação é de que a direita busca ampliar sua presença na Casa a partir de 2027, o que poderia facilitar a aprovação de medidas como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e a derrubada de decisões do Executivo.
Nas eleições deste ano, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, com duas vagas por Estado. Embora as candidaturas ainda não estejam oficialmente confirmadas, as articulações avançam em diversos estados em torno de nomes considerados competitivos pelo Palácio do Planalto.
