Uma testemunha que presenciou a morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, afirmou à Polícia Civil que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, chegou ao imóvel no Jardim dos Estados e efetuou disparos sem dar chance de defesa, na tarde desta terça-feira (24). A vítima foi atingida no abdômen e nas costas.
O depoimento foi prestado no curso das investigações e apresenta divergências em relação à versão apresentada por Bernal durante interrogatório. Segundo a testemunha, o ex-prefeito entrou na residência e atirou imediatamente.
“Ele já chegou atirando. Não deu chance de defesa”, relatou à polícia.
Conforme o testemunho, Mazzini estava no local acompanhado de outras pessoas para tratar da posse do imóvel, arrematado em leilão da Caixa Econômica Federal. Ainda de acordo com o relato, não houve discussão nem qualquer avanço contra Bernal antes dos disparos.
A narrativa contrasta com a apresentada pelo ex-prefeito. Em depoimento, Bernal afirmou que reagiu após se sentir ameaçado por um dos presentes.
“Eu entrei e vi pessoas arrombando a porta. Um deles veio para cima de mim. Eu me senti ameaçado e atirei”, declarou.
Ele também negou intenção de matar, afirmando que tentou atingir a perna da vítima.
“Eu dei um tiro e depois outro, mas para acertar no chão ou na perna. Não foi para matar”, disse.
A testemunha, por sua vez, descreveu uma ação rápida, sem possibilidade de reação por parte da vítima. Segundo o relato, os tiros ocorreram logo após a chegada de Bernal ao imóvel.
Mazzini caiu na varanda da casa após ser atingido. Equipes de socorro tentaram reanimá-lo por cerca de 25 minutos, mas ele morreu no local.
O caso ocorreu quando o fiscal esteve no endereço com uma notificação extrajudicial que previa a desocupação voluntária do imóvel. O documento não autorizava retirada forçada, mas indicava a intenção de assumir a posse.
Bernal sustenta que interpretou a situação como invasão. Ele afirmou já ter registrado boletins de ocorrência por arrombamentos no mesmo imóvel e que agiu para proteger a residência.
“Para mim, eram invasores. Já tinha acontecido outras vezes”, afirmou.
No interrogatório, o ex-prefeito disse ainda que não conhecia a vítima e acreditava se tratar de alguém envolvido em invasões anteriores. Ele também declarou possuir porte de arma regular e que adquiriu o revólver após receber ameaças.
A Polícia Civil deve analisar imagens de câmeras de segurança da residência para esclarecer a dinâmica dos fatos. Bernal permanece preso e será apresentado em audiência de custódia nesta quarta-feira (25), quando a Justiça decidirá se ele continuará detido ou responderá ao processo em liberdade.
