Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de experimentação de cigarros eletrônicos entre adolescentes de 13 a 17 anos. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que 48,2% dos estudantes nessa faixa etária já utilizaram ou ao menos experimentaram os dispositivos.
O Estado contabiliza cerca de 169,9 mil estudantes entre 13 e 17 anos, o que representa aproximadamente 81,9 mil jovens que já tiveram contato com os chamados “vapes” ou “pods”, aparelhos que aquecem líquidos com nicotina e outras substâncias tóxicas para inalação.
O levantamento coloca Mato Grosso do Sul na primeira posição entre os estados brasileiros. O consumo é mais frequente entre meninas, que somam 50,4% das entrevistadas, e também é maior na rede pública de ensino (49,6%) em comparação com a rede privada (38%).
Entre jovens de 18 a 24 anos, o uso também chama atenção. Em 2024, 14,9% desse público declarou consumir cigarros eletrônicos, o equivalente a cerca de 31 mil pessoas. No total da população analisada, o Estado registra a segunda maior taxa do País, com 4% de usuários.
As pesquisas apontam ainda um crescimento expressivo no uso desses dispositivos. Desde 2018, o número de consumidores aumentou cerca de 600%, saindo de 0,7% para os atuais índices.
Apesar de proibidos no Brasil desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os cigarros eletrônicos continuam circulando. Mato Grosso do Sul aparece como o segundo estado com mais apreensões do produto, atrás apenas do Paraná. Em 2023, foram confiscadas 263.911 unidades.
Tabagismo entre adolescentes
Além dos dispositivos eletrônicos, a pesquisa também avaliou o uso de outros produtos derivados do tabaco. Em Mato Grosso do Sul, 27,7% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarro tradicional pelo menos uma vez, o segundo maior índice do País.
A prevalência também é maior entre alunos da rede pública, com 29,2%, contra 16,6% na rede privada. Outro dado preocupante é a idade precoce de iniciação: 16,7% dos adolescentes afirmaram ter experimentado cigarro pela primeira vez aos 13 anos, maior percentual nacional.
O uso recente de cigarros também cresceu, passando de 6,8% em 2019 para 8,4% em 2024, considerando os 30 dias anteriores à pesquisa.
Já o narguilé apresenta índice de experimentação de 32,5% entre os estudantes, o segundo maior do País. O hábito é ligeiramente mais comum entre meninas (33,3%) do que entre meninos (31,8%).
Cenário nacional
Em todo o Brasil, a experimentação de cigarros eletrônicos entre adolescentes subiu de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, com predominância entre meninas (31,7%) e estudantes da rede pública (30,4%).
O uso recente também disparou, com crescimento de 300% no período, passando de 8,6% para 26,3%. Regionalmente, o maior índice foi registrado no Centro-Oeste (42%), seguido pela região Sul (38,3%).
Mesmo com a proibição da fabricação, importação, comercialização e publicidade desses produtos, reforçada por normas atualizadas da Anvisa em 2024, o consumo segue em expansão. A legislação brasileira também veta a venda de produtos derivados do tabaco para menores de 18 anos, em linha com acordos internacionais de controle do tabagismo.

